Um mês se passou desde a minha última postagem, mas para mim é como se o tempo estivesse parado desde que minha avó faleceu. Vou escrever os eventos na orgem cronológica.
Muitas coisas aconteceram, minha prima de Ponta Grossa esteve nos visitando, foi um fim de semana feliz, um almoço em família como nos velhos tempos.
No trabalho muita responsabilidade, mas mesmo tentando me concentrar não tenho muito êxito em minhas tarefas, pois algumas coisas não estavam dando certo, e novamente meus sonhos estavam se quebrando.
Enfim, no 1º dia do mês de junho, às 7 horas da manhã, sou acordado pela minha mãe com a péssima notícia, que minha avó havia falecido. Naquele momento mil coisas se passaram em minha mente, meus pais foram até a casa dela, eu fiquei em casa olhando pela janela quando a buscaram em um grande caixão. Até então eu parecia não acreditar, fui até a casa dela onde estavam alguns dos meus tios, tias e primas. Enviei um e-mail para meu trabalho avisando que não iria trabalhar devido ao ocorrido, e após alguns minutos recebi uma ligação no celular perguntando se eu não iria até a igreja para o velório, eram algumas pessoas do meu trabalho que estavam lá, porém o corpo ainda não havia chegado.
Esperei em casa pelos meus pais, e pela chegada do corpo na igreja. Após trocar de roupa e colocar um óculos de sol, fui até a igreja onde estavam alguns parentes e algumas pessoas da igreja, meus amigos do trabalho já haviam voltado para a empresa visto que demorei a chegar.
Não posso expressar de outra forma além da expressão "foi difícil", ao entrar na igreja e ver aquele caixão posicionado no meio do hall, com o corpo da minha avó serena, como se estivesse dormindo um profundo sono. Em meu inconsciente eu repetia para mim mesmo "eu sou forte", sentia meu mundo sendo carregado por um vendaval mas não queria me entregar, buscava ser forte mas não podia me libertar do sentimento de solidão que fui tomado, de estar um pouco mais órfão e sozinho, de grande parte do meu porto seguro estar indo embora.
Telefonei para minha irmã e para minha prima e tia que, mesmo sem ser parentes diretamente, como convivemos todos juntos e criamos laços muito fortes.
Evitei ficar na parte da tarde próximo do corpo, queria imaginar que tudo aquilo fosse um pesadelo, uma ilusão, algo que fosse acabar em poucos segundos, mas não era. Me sentia fraco, mas buscava ser forte. No culto a noite, estavam diversos parentes de Curitiba, Brasília, Londrina entre outras cidades. Eu sentia que meus olhos eram grandes barragens prestes a ceder, sentia uma tristeza muito maior que as barreiras que eu havia colocado em torno de mim, buscava ser forte pelos meus familiares mas não conseguia ser forte por mim mesmo, e enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto eu me lembrava de cada coisa que minha avó havia feito por mim, e quanto eu era grato à ela. Enquanto todos cantavam eu sentia um aperto em meu coração, o qual me sufocava, me tirava o fôlego, não conseguia cantar, nem ao menos falar.
Após o culto fiquei com uma grande dor de cabeça, fui com minha mãe até em casa para tomar um remédio. Após isso minha tia de Jaguariaíva chegou, voltamos até a igreja onde encontrei meu amigo Juninho, não esperava ver ninguém conhecido por mim naquele velório, mas avisei ele logo pela manhã pois era amigo da família, apesar de não querer ver ninguém conhecido por mim, no cantinho do meu coração ecoava uma voz chamando por alguém conhecido. Quando o abracei, por um momento foi como se eu desabasse por completo, e no outro me recompus para ser forte novamente. Após conversar com ele fui tomado por uma gastrite muito forte, eram duas horas da manhã, fui até a casa da minha outra avó tomar um chá mas a dor não passava, então fui para casa dormir.
No outro dia pela manhã, fomos até o culto de despedida, após os pastores fazerem as considerações o caixão foi lacrado. Fomos até o carro e meu pai dirigiu até o cemitério onde, após uma última oração, o caixão foi colocado junto aos ossos do meu avô.
Neste ponto meu mês acabou, depois disto um período de silêncio tomou minha vida, meus sonhos, meus amigos, nada mais parece ter algum sentido ou significado. Fui tomado por um resfriado muito forte, combinado ao frio que minha cidade tem estado nos últimos dias é algo difícil de se recuperar.
O que posso dizer é que planejei minha vida até este ponto, nunca me imaginei vivendo sem minha avó mesmo que sua morte já fosse algo esperado devido a seu estado de saúde. Esta noite sonhei com ela, e como foi bom estar com ela saudável, sentada na cozinha da minha casa.
Resumindo: Em grande parte da minha vivência minha avó estava presente, pois morávamos no mesmo terreno e por isso éramos muito próximos. Grande parte de minhas conquistas foram embasadas em suas orações, e se sou forte como sou, devo muito a ela. Ela me chamava de "Polaquinho", pois com sua avançada idade não lembrava os nomes com facilidade, mas deste apelido carinhoso ela sempre lembrava, bem como o primeiro dia que ela me viu, no hospital no dia do meu nascimento.
Ela deixou saudades, motivos para se orgulhar, e um livro com sua história, o qual foi digitado por uma de minhas primas, e o qual era sua última vontade ver publicado. Sou muito grato por tudo que ela me fez, e embasado em sua vida de fé, peço a Deus que me dê força para continuar sem sua presença.
Vó, algum dia vamos nos encontrar, até lá seu lugar na igreja estará vago, bem como no meu coração. Nada pode preenchê-lo além da saudade que você deixou.
Vó Aleni - In Memmorian - 01/06/2011 - 89 Anos
Homenagem do seu "Polakinho"
Homenagem do seu "Polakinho"
Rosa de Saron - Menos de Um Segundo
"Partiu num dia qualquer
Sem ao menos dizer adeus
E o que ficou?
Um coração que sofre
Como quem espera a próxima entrada da estação
E o que separa o frio do calor
É a emoção de saber que vou
Poder te reencontrar um dia
Eternamente te encontrar
Eternamente encontrar você"
Sem ao menos dizer adeus
E o que ficou?
Um coração que sofre
Como quem espera a próxima entrada da estação
E o que separa o frio do calor
É a emoção de saber que vou
Poder te reencontrar um dia
Eternamente te encontrar
Eternamente encontrar você"


0 comentários:
Postar um comentário