"Você está em um solo sagrado, onde minhas idéias, sonhos e sentimentos andam livremente. Não continue esta leitura se achar que sua percepção sobre mim é volátil e pode mudar ao longo que adentrar meu mundo, saia agora e escolha me enxergar com a imagem do exterior que lhe ofereço. Lembre-se, em muitos momentos palavras foram minhas únicas companheiras, não as julgue por serem muitas vezes amargas as seus olhos. Caso queira mergulhar na alma de um simples escritor que desabafa com as palavras, seja bem vindo." Luiz Ricardo Pires Matheus

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Saudades, Trevas e um Longo Eclipse...

As horas e os dias passaram rapidamente, e já fez mais de um mês que não escrevo nada nestas páginas, muita coisa aconteceu.

No final do ano fui até minha cidade, para o Natal e depois Ano Novo, aproveitei para ver parentes e familiares que não via há algum tempo. Gostei de ambas as datas, pude desfrutar de momentos os quais ficaram raros em minha vida, participei de um amigo secreto no qual tirei minha irmã. Estava tudo do jeito que eu costumava gostar, mas notei uma mudança em minha visão, notei que muitas das pessoas presentes não fazem mais parte do meu mundo e não foi por falta de eu tentar mantê-las comigo, mas não acompanharam nada que passei nestes tempos de mudanças, fazem parte de uma ilusão com a qual sei que não posso mais contar, e retornei com este pensamento em mente. Em minha visita encontrei o Jean, amigo antigo o qual tenho desde os tempos de curso técnico e de faculdade, para fazer um lanche, foi bom revê-lo e conversar um pouco. 

As viagens foram cansativas e sequenciais, mas depois de passar o Ano Novo voltei para Londrina, onde estou até o momento aguardando o Carnaval quando voltarei a visitar novamente Telêmaco Borba, e conversar com um amigo o qual o casamento acabou, e sinto que está precisando. Em Londrina, continuo a trabalhar no mesmo setor, e com o gestor do mesmo de férias a correria aumentou muito, quase não dou conta de tanto trabalho, e agora recebi a notícia que talvez seja remanejado de local tendo em vista que não tenho dirigido um veículo há muito tempo. Não posso dizer que isso me deixou triste, mas também não estou feliz pois já acostumei com as pessoas que trabalho, tenho colegas e amigos, como o Márcio por exemplo, com quem dou muitas risadas fazendo do trabalho algo menos estressante.

Em Londrina, em casa tenho estado mais relaxado, tenho passado bons momentos com o Thiago, e com as pessoas que conheci recentemente, sendo estas a Laiza, a Jheniffer, o Adauto e o Jonathan. Estes momentos tem feito eu pensar em como será quando eu me mudar para o apartamento, colocando dúvidas se eu realmente quero fazer isso. Quanto ao meu primo nunca mais o vi, e acho que é o mais correto, Deus me tirou uma pessoa que me fez muito mal e colocou outras para me ajudarem, sou grato e se pudesse escolher, de minha vontade seria exatamente desta forma apesar de algumas vezes ter sentido saudades, hoje posso dizer que este sentimento é quase algo morto. Mas, ainda sobre este primo, há uns dias atrás houve seu casamento em uma sexta-feira (para o qual obviamente nem eu e nem meus pais fomos convidados, principalmente após o e-mail que o mesmo enviou ofendendo minha mãe), o que me surpreendeu foram a quantidade de parentes os quais vieram para Londrina, e a quantidade dos quais me procuraram para saber se estou vivo, os quais foram nenhum, zero, enfim, esperava que ao menos minha tia, a qual pegou meus dois números de celular com minha mãe antes de vir, me ligasse e marcasse um local para nos vermos, mas desde que vim para cá tenho me visto como quando era uma criança, quando eu e este primo disputávamos a atenção dela e o resultado sempre era favorável a ele, como sinto que ainda é atualmente. Um dia destes me lembrei de algo de minha infância, que um dia disse para esta tia que iria embora para ver se ela me trataria tão bem quanto tratava este primo, mal sabia eu que viria para a mesma cidade que ele. Enfim, hoje sinto que me libertei deste sentimento também, cansei de lutar pela atenção de pessoas que nem ligam se estou vivo, e isso digo de forma geral, e não só neste caso.

Falando em criança, minhas sessões na psicóloga estavam muito monótonas, eu estava seriamente pensando em desistir, porém na última sessão a Dra. conseguiu chamar minha atenção, pois ela adentrou em um espaço muito íntimo do meu coração, e viu o que poucas pessoas conseguem, uma criança e uma pessoa triste que sorri, e por isso resolvi continuar frequentando para ver onde isso vai dar. E abrindo um pouco meu coração, neste turbilhão de sentimentos também tenho passado por alguns transtornos, tais como atrasos em todos meus compromissos, mudanças drásticas de humor (Da alegria eufórica ao mórbido pânico da tristeza, seguido de uma raiva imensa), de momentos de amortecimento nos quais não sinto nada e fico sem reação para tomar decisões, a ausência de atividades que me dão prazer e a presença de muito sono, cansaço e uma sensação que meu corpo pesa toneladas. Tais fatos foram classificados por ela como "Distimia", um tipo de depressão leve que diferente da profunda, não impede as atividades diárias, mas as dificultam. De fato tudo o que estou passando está transformando cada molécula do meu corpo, e se eu já pensava que estava mudando, agora tenho certeza que as coisas jamais serão as mesmas comigo, tanto internamente quanto externamente.

Mas só para constar, e tranquilizando as pessoas que estão lendo (Se é que alguém ainda perde tempo com isso), não me sinto derrotado, pelo contrário, eu sempre soube que quando meu lado fraco caísse um mais forte se levantaria, e isso está acontecendo aos poucos, posso sentir que no final serei mais forte. Muitas pessoas ensinam que devemos viver como uma criança, mas não sabem como é difícil não possuir a malícia de esperar que pessoas de seu próprio sangue lhe desejem mal, que pessoas próximas que lhe chamam de amigo na verdade o façam apenas por comodismo pois nas horas difíceis desaparecem, ou que pessoas lhe chamem de irmão porém não o façam de coração, mas sim apenas para silenciar suas consciências pelo medo imposto pela religião de queimarem no inferno. 

O mundo não é lugar para uma criança, ele é um lugar frio onde uma grande guerra entre monstros acontece, a qual envolve interesses, poder e muita hipocrisia. Uma guerra também acontece dentro do meu coração, onde a pessoa que sou luta contra a pessoa que os eventos da minha vida forçam a ser, o melhor seria se ambas unissem suas qualidades em uma só, mas isso somente o tempo pode fazer, por enquanto sou uma roleta a qual gira conforme os eventos do destino, e a qual eventualmente tem conseguido acertos.
   


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