"Você está em um solo sagrado, onde minhas idéias, sonhos e sentimentos andam livremente. Não continue esta leitura se achar que sua percepção sobre mim é volátil e pode mudar ao longo que adentrar meu mundo, saia agora e escolha me enxergar com a imagem do exterior que lhe ofereço. Lembre-se, em muitos momentos palavras foram minhas únicas companheiras, não as julgue por serem muitas vezes amargas as seus olhos. Caso queira mergulhar na alma de um simples escritor que desabafa com as palavras, seja bem vindo." Luiz Ricardo Pires Matheus

terça-feira, 30 de junho de 2020

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As Dificuldades da Ansiedade, Perdas, Solidão e Conformismo...

Não tem coisa pior para testar a ansiedade do que um estado de pandemia, não tenho sentido sintomas ansiosos pois estou tomando religiosamente a medicação que me foi receitada, mas passar por este período sozinho tem sido desgastante, e angustiante. Queria eu merecer a admiração de algumas pessoas que acham que sou feliz estando solteiro, quando na verdade passei a me conformar com a situação pra tentar encontrar um pouco de conforto e paz dentro da minha própria pele.

No ano passado conheci um rapaz, e nunca senti em minhas tentativas falhas de namorar o efeito devastador de minha ansiedade quanto neste caso. Nossa corrida rotina nos impossibilitou muitas coisas, eu estava em um período corrido na faculdade e com sintomas ansiosos muito fortes, mas dentro de toda esta correria maluca encontramos um tempo para deixar a virtualidade de lado, confesso que fiquei muito nervoso, imaginando se desta vez eu seria suficiente, ou se seria novamente mais uma pessoa que sairia pela tangente quando tivesse chance. Conversamos, ficamos, e até andamos de mãos dadas em algumas ruas escuras e solitárias da faculdade, planejamos que na mesma semana nos veríamos, passaríamos um tempo de maior qualidade juntos, mas a rotina dele não permitiu e ele não compareceu, e neste dia, minha ansiedade me devastou.

Hoje eu olho para trás e acho que estraguei tudo, arruinei uma das chances mais reais que tive com alguém, e com todo este isolamento social acabo por ter tempo de sobra pra repassar todos os meus erros, coisas que refletem muito no fato de ter que passar por isso sozinho. E em um dia nada diferente dos demais, me angustio com as lembranças, a nostalgia de sentir o peito cheio de alegria, e a sensação de ser suficiente, de ter alguém que acordava de manhã para quem fazia diferença como eu estava.

Eu não consigo mais me permitir sofrer, e por este motivo, não consigo mais me permitir, e isso me esvaziou, e dói todas as estruturas do meu ser quando sinto o vazio enorme dentro do peito. Não quero pensar nisso, estou tentando escrever para ver se isso alivia, mas cada vez que vejo um casal juntos, sinto muita tristeza por ter tanto amor no peito, lacrado apodrecendo por medo de me machucar novamente...


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sábado, 13 de junho de 2020

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Um Longo Tempo de luto, sexualidade, e uma pandemia...

Estava vendo que a última vez que escrevi foi quando arrumei meu cachorro, logo acho que já faz muito tempo, então resolvi atualizar com fatos recentes.

Bom, o luto pelo meu pai foi motivo de muita terapia, foi difícil para eu elaborar esta perda e estava tendo ataques de pânico em determinadas datas nas quais eu tinha clara sua ausência, tais como seu aniversário, dia dos pais e o meu aniversário, mas atualmente os sintomas estão mais controlados, apesar de ainda tomando ainda um remédio para a ansiedade. Ano passado quando estive de férias em Telêmaco visitei seu túmulo e consegui ressignificar a despedida, dizer algumas coisas que precisava dizer. Mas a perda não teve só um lado ruim, busquei entender o que acontecia comigo, participei de vários grupos de estudos sobre luto, fiz uma pós graduação na área e busquei tornar isso uma potência.

Sobre os parentes por parte de mãe, continuo afastado depois de uma tentativa falha de aproximação que ocorreu, quando após eu ter confidencializado algumas coisas para meus primos e logo em seguida a minha tia ter usado isso em uma discussão com minha mãe, me senti traído mas no fundo esperava isso pois foi um teste que eu fiz, e eles não passaram. Mas meu afastamento definitivo foi em virtude de um ódio velado que eles possuem acerca de minha sexualidade, que já deixaram claro em algumas conversas, uma delas em um aniversário da minha avó no qual eu estava presente, e que foi posteriormente confirmada por estes primos.  Nunca toquei neste assunto mas o curso e a terapia me ajudaram muito a me aceitar, passei a perceber quando as pessoas invadiam minha privacidade e deixei de permitir isso, e passei a validar meu sentimento de ódio, coisa que nunca pude me permitir quando criança e adolescente em virtude da religião. Muitas pessoas dizem que guardar ódio faz mal quando na verdade o que realmente adoece é não se permitir sentir as coisas, não dar encaminhamento para estes sentimentos, negá-los, e era o que eu fazia. Minha real família sabe de minha sexualidade, acabei contando há uns 2 anos atrás, e foi bom tirar um peso do peito, e o que mais importa é ser transparente com minha mãe, avó e irmã, do restante não preciso de aceitação, apenas de respeito caso queiram manter contato. Mas o que mais me aliviou foi o fato de ter acabado com as chantagens que um primo meu fazia nas discussões de família, inclusive aquela que citei após 2 meses de falecimento do meu pai pelo whatsapp, ele sempre falava como se tivesse algo contra mim para expôr, e hoje isso ser irrelevante, e como acabei com a interdição de meu ódio ele é uma pessoa que morreu para mim, e de uma forma totalmente autêntica aceito bem isso. Não aceito bem a hipocrisia, por isso tenho dificuldades de estar na casa da minha avó, mas no natal passado dei a escolha para minha mãe, pois percebi que estava privando ela de aproveitar sua família, acabamos passando juntos na casa da avó com vários parentes mas sempre tive consciência que no menor desagrado com assuntos pertinentes a minha sexualidade eu iria pra casa. Minha mãe tem um senso de perdão muito mais forte que o meu, e ignora o fato de ser mal falada por grande parte deles, na verdade acho que ela ainda tem esse bloqueio de não poder odiar, não a culpo, por um tempo isso é reconfortante. Nunca pensei que passaria por situações de homofobia sem estar em um relacionamento mas já passei por isso no trabalho, no meu condomínio e até entre parentes, é difícil não pensar em como isso é injusto, mas me recuso a ficar me deixando afetar por isso.

Minha faculdade está no fim, estaria me formando agora se não fosse pelo início de uma pandemia mundial por causa do Corona vírus, tenho ido trabalhar duas vezes na semana e feito home office nas demais, é muito difícil ficar em casa sozinho, tenho tentado focar no trabalho e nas atividades do curso online mas sinto vontade de dormir o dia todo, com o isolamento social ficar em casa sozinho é muito difícil, nesse momento a terapia tem sido fundamental. Planos perdidos, formatura e comemorações sem previsão, término incerto, é tudo o que sei sobre minha graduação, e infelizmente não há nada que eu possa fazer. Não trabalho mais como tutor na Unopar, fui dispensado no final de 2018, mas consegui continuar com a bolsa de estudos até o final do curso.

A Niky, minha cachorra, ficou vivendo com a minha mãe, pois no ano passado quando comecei um estágio nos sábados em um asilo da cidade a mesma ficava muito sozinha, levava ela para Telêmaco nas férias e ela adorava, então acabei deixando ela em definitivo, mato a saudade apenas quando vou para lá. Minha avó adora quando minha mãe leva ela para visitá-la, uma vez que ela está sem nenhum cachorro para lhe fazer companhia.

Neste período tive uns problemas com pedras nos rins e tive que passar por uma cirurgia, isso foi em meados de outubro de 2018, e em janeiro de 2019 tive uma apendicite e novamente passei por cirurgia. Neste período uma tia veio cobrar minha mãe dizendo que ela deveria estar aqui comigo, o engraçado é que esta mesma tia não me mandou sequer uma mensagem perguntando como eu estava. Ano passado fiz um check-up do coração e descobri novamente o sopro que havia detectado quando criança, não é nada grave mas explicaria as arritmias e os sintomas de ansiedade que venho sentindo, estava praticando caminhadas diárias até esta pandemia começar e interditarem a pista de caminhadas de meu condomínio. Falando no apartamento, quitei no ano passado, graças a Deus uma despesa a menos, pois morar sozinho custa caro. 

Fiz vários progressos em minha vida, conseguir ficar sozinho no apartamento neste período é um destes progressos, no meu passado já passei muito mal por me sentir sozinho e atualmente não ligo pra isso. Houve períodos em que tive ataques de pânico dentro de meu apartamento, e neste momento também consigo ficar dentro dele numa boa, porém mês passado quando fiz 1 mês interrupto de home office fiquei bastante angustiado por não sair de casa, mas nada que tomasse as proporções dos ataques de pânico. Minha mãe tem me visitado, tem vindo com meu padrasto, tem sido bom quando eles estão por aqui, dá pra me distrair. Aliás, minha mãe casou novamente neste meio tempo que não escrevi, gosto do Luiz, ele cuida bem dela e tem estado ao lado dela em todos os momentos difíceis, odiava o fato de eu não estar presente nas dificuldades dela e de ela depender da família dela, agora tenho aconselhado ela a se distanciar deles e aproveitar mais seu casamento, mas entendo que ela mantenha uma proximidade até pela avó que não tem culpa de nada, as vezes me pego tendo a mesma obrigação por amor a elas.

No momento encontro-me assim, esperando as coisas caminharem, imaginando quando meus planos vão voltar a progredir, e sobrevivendo no meio desta pandemia viral e política que tomou o país.

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segunda-feira, 27 de março de 2017

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Muito tempo, muitas coisas...

Estava lendo as coisas que escrevi aqui e me senti um pouco triste de ficar tanto tempo sem escrever, dizem que recordar é viver e lembrar de determinadas coisas é bom para saber o quanto amadurecemos.

Bem, faz anos que não escrevo, isso pelo fato de minha necessidade de externar as coisas ter diminuido com o tempo, mas vou relatar alguns acontecimentos.

Eu ainda trabalho como Tutor à Distância, gosto do trabalho que faço e no momento estou em uma rotina super corrida, completando meu tempo com uma academia pela manhã, o trabalho na Sanepar de dia e a faculdade a noite, na qual atualmente curso Psicologia - 2° ano. 

Estou bem estabelecido em meu apartamento, já mobilhei e equipei ele de forma a me possibilitar uma boa sobrevivência, meus pais me ajudaram muito nisso, assim como havia relatado na última postagem.

No dia 18 de Novembro de 2015 recebi o maior golpe que a vida já me deu, meu pai faleceu. Até hoje ainda parece um episódio de outra realidade, é difícil acreditar que ele não está mais aqui, se não fosse pela sua ausência eu não acreditaria. Depois de sua morte a mudança que acontecia comigo acelerou, enfrentei alguns episódios de ataques de pânico, fui tomado por um ódio enorme que ainda está presente em alguns aspectos da minha vida, minha forma individualista também cresceu muito, e uma certa frieza. Senti realmente que um pedaço de meu ser foi arrancado e morreu junto com ele. É dificil escrever sobre isso sem reviver o ocorrido, talvez por este motivo tenha fugido tanto de escrever novamente, talvez agora eu esteja preparado. 

Enfim, 2 meses após sua morte tive um desentendimento com meus familiares por parte de mãe, algo via whatsapp que começou como uma ferida mas necrosou grande parte de meu sentimento por grande parte deles, e tal como todos os aspectos de minha vida também foram inundados com o ódio, mas hoje conta com a indiferença, que acredito que seja bem pior. Minha tia por parte de pai também, mas era algo que já havia relatado, logo não é de hoje que não temos afinidade alguma, apenas acho que agora ficou claro. O mais estranho é que se fosse há alguns anos eu estaria sofrendo por isso, mas hoje não sinto nada, e este sentimento ou a ausência dele é algo esplêndido. Aprendi que existem pessoas que lutam para ficar ao nosso lado e o tempo leva embora tal como meu pai, estes merecem nossa admiração e nosso sentimento de saudade, mas para aqueles que possuem a possibilidade de estar presente e preferem dar as costas é um desperdício de sentimento sentir saudade, ou qualquer tipo de sentimento...

Quanto a faculdade, estou bem otimista, estou gostando de Psicologia e a chance proporcionada pela Unopar com a bolsa me ajuda muito nesta conquista. Meu curso foi onde me segurei para me distrair em um período difícil, o primeiro ano sem meu pai, cada data comemorativa, cada dia festivo aos pais, ou seu aniversário, acabavam comigo. Eu possuo a crença que ele me espera em algum lugar, ele me prometeu isso, só me dói saber que irei demorar a vê-lo.

Meu círculo de amigos mudou, não mais ví os que moraram comigo desde que me mudei, nem teria mais como vê-los pois não fui convidado nem para suas formaturas, não os culparia, afinal contextos mudam, assim como hoje eles deixaram de ser o meu sinto que deixei de ser o deles há muito tempo. Mas fiz amigos na faculdade, tenho amigos no trabalho, e a vida segue...

Arrumei também um cachorro, a Niky, uma Poodle Toy. Ela está com 1 ano e 6 meses, eu tomei a decisão após a morte do meu pai, quando ficar no apartamento sozinho se tornou algo difícil.

Estou em contagem regressiva para minhas férias e estou feliz, minha vida está completa, estou me animando a fazer coisas que nunca tive vontade, estou bem animado com a academia, com os empregos e com a faculdade, realmente sinto que estou fazendo algo da minha vida, e isso me move para frente, completa meu dia.

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