Estava vendo que a última vez que escrevi foi quando arrumei meu cachorro, logo acho que já faz muito tempo, então resolvi atualizar com fatos recentes.
Bom, o luto pelo meu pai foi motivo de muita terapia, foi difícil para eu elaborar esta perda e estava tendo ataques de pânico em determinadas datas nas quais eu tinha clara sua ausência, tais como seu aniversário, dia dos pais e o meu aniversário, mas atualmente os sintomas estão mais controlados, apesar de ainda tomando ainda um remédio para a ansiedade. Ano passado quando estive de férias em Telêmaco visitei seu túmulo e consegui ressignificar a despedida, dizer algumas coisas que precisava dizer. Mas a perda não teve só um lado ruim, busquei entender o que acontecia comigo, participei de vários grupos de estudos sobre luto, fiz uma pós graduação na área e busquei tornar isso uma potência.
Sobre os parentes por parte de mãe, continuo afastado depois de uma tentativa falha de aproximação que ocorreu, quando após eu ter confidencializado algumas coisas para meus primos e logo em seguida a minha tia ter usado isso em uma discussão com minha mãe, me senti traído mas no fundo esperava isso pois foi um teste que eu fiz, e eles não passaram. Mas meu afastamento definitivo foi em virtude de um ódio velado que eles possuem acerca de minha sexualidade, que já deixaram claro em algumas conversas, uma delas em um aniversário da minha avó no qual eu estava presente, e que foi posteriormente confirmada por estes primos. Nunca toquei neste assunto mas o curso e a terapia me ajudaram muito a me aceitar, passei a perceber quando as pessoas invadiam minha privacidade e deixei de permitir isso, e passei a validar meu sentimento de ódio, coisa que nunca pude me permitir quando criança e adolescente em virtude da religião. Muitas pessoas dizem que guardar ódio faz mal quando na verdade o que realmente adoece é não se permitir sentir as coisas, não dar encaminhamento para estes sentimentos, negá-los, e era o que eu fazia. Minha real família sabe de minha sexualidade, acabei contando há uns 2 anos atrás, e foi bom tirar um peso do peito, e o que mais importa é ser transparente com minha mãe, avó e irmã, do restante não preciso de aceitação, apenas de respeito caso queiram manter contato. Mas o que mais me aliviou foi o fato de ter acabado com as chantagens que um primo meu fazia nas discussões de família, inclusive aquela que citei após 2 meses de falecimento do meu pai pelo whatsapp, ele sempre falava como se tivesse algo contra mim para expôr, e hoje isso ser irrelevante, e como acabei com a interdição de meu ódio ele é uma pessoa que morreu para mim, e de uma forma totalmente autêntica aceito bem isso. Não aceito bem a hipocrisia, por isso tenho dificuldades de estar na casa da minha avó, mas no natal passado dei a escolha para minha mãe, pois percebi que estava privando ela de aproveitar sua família, acabamos passando juntos na casa da avó com vários parentes mas sempre tive consciência que no menor desagrado com assuntos pertinentes a minha sexualidade eu iria pra casa. Minha mãe tem um senso de perdão muito mais forte que o meu, e ignora o fato de ser mal falada por grande parte deles, na verdade acho que ela ainda tem esse bloqueio de não poder odiar, não a culpo, por um tempo isso é reconfortante. Nunca pensei que passaria por situações de homofobia sem estar em um relacionamento mas já passei por isso no trabalho, no meu condomínio e até entre parentes, é difícil não pensar em como isso é injusto, mas me recuso a ficar me deixando afetar por isso.
Minha faculdade está no fim, estaria me formando agora se não fosse pelo início de uma pandemia mundial por causa do Corona vírus, tenho ido trabalhar duas vezes na semana e feito home office nas demais, é muito difícil ficar em casa sozinho, tenho tentado focar no trabalho e nas atividades do curso online mas sinto vontade de dormir o dia todo, com o isolamento social ficar em casa sozinho é muito difícil, nesse momento a terapia tem sido fundamental. Planos perdidos, formatura e comemorações sem previsão, término incerto, é tudo o que sei sobre minha graduação, e infelizmente não há nada que eu possa fazer. Não trabalho mais como tutor na Unopar, fui dispensado no final de 2018, mas consegui continuar com a bolsa de estudos até o final do curso.
A Niky, minha cachorra, ficou vivendo com a minha mãe, pois no ano passado quando comecei um estágio nos sábados em um asilo da cidade a mesma ficava muito sozinha, levava ela para Telêmaco nas férias e ela adorava, então acabei deixando ela em definitivo, mato a saudade apenas quando vou para lá. Minha avó adora quando minha mãe leva ela para visitá-la, uma vez que ela está sem nenhum cachorro para lhe fazer companhia.
Neste período tive uns problemas com pedras nos rins e tive que passar por uma cirurgia, isso foi em meados de outubro de 2018, e em janeiro de 2019 tive uma apendicite e novamente passei por cirurgia. Neste período uma tia veio cobrar minha mãe dizendo que ela deveria estar aqui comigo, o engraçado é que esta mesma tia não me mandou sequer uma mensagem perguntando como eu estava. Ano passado fiz um check-up do coração e descobri novamente o sopro que havia detectado quando criança, não é nada grave mas explicaria as arritmias e os sintomas de ansiedade que venho sentindo, estava praticando caminhadas diárias até esta pandemia começar e interditarem a pista de caminhadas de meu condomínio. Falando no apartamento, quitei no ano passado, graças a Deus uma despesa a menos, pois morar sozinho custa caro.
Fiz vários progressos em minha vida, conseguir ficar sozinho no apartamento neste período é um destes progressos, no meu passado já passei muito mal por me sentir sozinho e atualmente não ligo pra isso. Houve períodos em que tive ataques de pânico dentro de meu apartamento, e neste momento também consigo ficar dentro dele numa boa, porém mês passado quando fiz 1 mês interrupto de home office fiquei bastante angustiado por não sair de casa, mas nada que tomasse as proporções dos ataques de pânico. Minha mãe tem me visitado, tem vindo com meu padrasto, tem sido bom quando eles estão por aqui, dá pra me distrair. Aliás, minha mãe casou novamente neste meio tempo que não escrevi, gosto do Luiz, ele cuida bem dela e tem estado ao lado dela em todos os momentos difíceis, odiava o fato de eu não estar presente nas dificuldades dela e de ela depender da família dela, agora tenho aconselhado ela a se distanciar deles e aproveitar mais seu casamento, mas entendo que ela mantenha uma proximidade até pela avó que não tem culpa de nada, as vezes me pego tendo a mesma obrigação por amor a elas.
No momento encontro-me assim, esperando as coisas caminharem, imaginando quando meus planos vão voltar a progredir, e sobrevivendo no meio desta pandemia viral e política que tomou o país.

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