"Você está em um solo sagrado, onde minhas idéias, sonhos e sentimentos andam livremente. Não continue esta leitura se achar que sua percepção sobre mim é volátil e pode mudar ao longo que adentrar meu mundo, saia agora e escolha me enxergar com a imagem do exterior que lhe ofereço. Lembre-se, em muitos momentos palavras foram minhas únicas companheiras, não as julgue por serem muitas vezes amargas as seus olhos. Caso queira mergulhar na alma de um simples escritor que desabafa com as palavras, seja bem vindo." Luiz Ricardo Pires Matheus
Não tem coisa pior para testar a ansiedade do que um estado de pandemia, não tenho sentido sintomas ansiosos pois estou tomando religiosamente a medicação que me foi receitada, mas passar por este período sozinho tem sido desgastante, e angustiante. Queria eu merecer a admiração de algumas pessoas que acham que sou feliz estando solteiro, quando na verdade passei a me conformar com a situação pra tentar encontrar um pouco de conforto e paz dentro da minha própria pele.
No ano passado conheci um rapaz, e nunca senti em minhas tentativas falhas de namorar o efeito devastador de minha ansiedade quanto neste caso. Nossa corrida rotina nos impossibilitou muitas coisas, eu estava em um período corrido na faculdade e com sintomas ansiosos muito fortes, mas dentro de toda esta correria maluca encontramos um tempo para deixar a virtualidade de lado, confesso que fiquei muito nervoso, imaginando se desta vez eu seria suficiente, ou se seria novamente mais uma pessoa que sairia pela tangente quando tivesse chance. Conversamos, ficamos, e até andamos de mãos dadas em algumas ruas escuras e solitárias da faculdade, planejamos que na mesma semana nos veríamos, passaríamos um tempo de maior qualidade juntos, mas a rotina dele não permitiu e ele não compareceu, e neste dia, minha ansiedade me devastou.
Hoje eu olho para trás e acho que estraguei tudo, arruinei uma das chances mais reais que tive com alguém, e com todo este isolamento social acabo por ter tempo de sobra pra repassar todos os meus erros, coisas que refletem muito no fato de ter que passar por isso sozinho. E em um dia nada diferente dos demais, me angustio com as lembranças, a nostalgia de sentir o peito cheio de alegria, e a sensação de ser suficiente, de ter alguém que acordava de manhã para quem fazia diferença como eu estava.
Eu não consigo mais me permitir sofrer, e por este motivo, não consigo mais me permitir, e isso me esvaziou, e dói todas as estruturas do meu ser quando sinto o vazio enorme dentro do peito. Não quero pensar nisso, estou tentando escrever para ver se isso alivia, mas cada vez que vejo um casal juntos, sinto muita tristeza por ter tanto amor no peito, lacrado apodrecendo por medo de me machucar novamente...
Estava vendo que a última vez que escrevi foi quando arrumei meu cachorro, logo acho que já faz muito tempo, então resolvi atualizar com fatos recentes.
Bom, o luto pelo meu pai foi motivo de muita terapia, foi difícil para eu elaborar esta perda e estava tendo ataques de pânico em determinadas datas nas quais eu tinha clara sua ausência, tais como seu aniversário, dia dos pais e o meu aniversário, mas atualmente os sintomas estão mais controlados, apesar de ainda tomando ainda um remédio para a ansiedade. Ano passado quando estive de férias em Telêmaco visitei seu túmulo e consegui ressignificar a despedida, dizer algumas coisas que precisava dizer. Mas a perda não teve só um lado ruim, busquei entender o que acontecia comigo, participei de vários grupos de estudos sobre luto, fiz uma pós graduação na área e busquei tornar isso uma potência.
Sobre os parentes por parte de mãe, continuo afastado depois de uma tentativa falha de aproximação que ocorreu, quando após eu ter confidencializado algumas coisas para meus primos e logo em seguida a minha tia ter usado isso em uma discussão com minha mãe, me senti traído mas no fundo esperava isso pois foi um teste que eu fiz, e eles não passaram. Mas meu afastamento definitivo foi em virtude de um ódio velado que eles possuem acerca de minha sexualidade, que já deixaram claro em algumas conversas, uma delas em um aniversário da minha avó no qual eu estava presente, e que foi posteriormente confirmada por estes primos. Nunca toquei neste assunto mas o curso e a terapia me ajudaram muito a me aceitar, passei a perceber quando as pessoas invadiam minha privacidade e deixei de permitir isso, e passei a validar meu sentimento de ódio, coisa que nunca pude me permitir quando criança e adolescente em virtude da religião. Muitas pessoas dizem que guardar ódio faz mal quando na verdade o que realmente adoece é não se permitir sentir as coisas, não dar encaminhamento para estes sentimentos, negá-los, e era o que eu fazia. Minha real família sabe de minha sexualidade, acabei contando há uns 2 anos atrás, e foi bom tirar um peso do peito, e o que mais importa é ser transparente com minha mãe, avó e irmã, do restante não preciso de aceitação, apenas de respeito caso queiram manter contato. Mas o que mais me aliviou foi o fato de ter acabado com as chantagens que um primo meu fazia nas discussões de família, inclusive aquela que citei após 2 meses de falecimento do meu pai pelo whatsapp, ele sempre falava como se tivesse algo contra mim para expôr, e hoje isso ser irrelevante, e como acabei com a interdição de meu ódio ele é uma pessoa que morreu para mim, e de uma forma totalmente autêntica aceito bem isso. Não aceito bem a hipocrisia, por isso tenho dificuldades de estar na casa da minha avó, mas no natal passado dei a escolha para minha mãe, pois percebi que estava privando ela de aproveitar sua família, acabamos passando juntos na casa da avó com vários parentes mas sempre tive consciência que no menor desagrado com assuntos pertinentes a minha sexualidade eu iria pra casa. Minha mãe tem um senso de perdão muito mais forte que o meu, e ignora o fato de ser mal falada por grande parte deles, na verdade acho que ela ainda tem esse bloqueio de não poder odiar, não a culpo, por um tempo isso é reconfortante. Nunca pensei que passaria por situações de homofobia sem estar em um relacionamento mas já passei por isso no trabalho, no meu condomínio e até entre parentes, é difícil não pensar em como isso é injusto, mas me recuso a ficar me deixando afetar por isso.
Minha faculdade está no fim, estaria me formando agora se não fosse pelo início de uma pandemia mundial por causa do Corona vírus, tenho ido trabalhar duas vezes na semana e feito home office nas demais, é muito difícil ficar em casa sozinho, tenho tentado focar no trabalho e nas atividades do curso online mas sinto vontade de dormir o dia todo, com o isolamento social ficar em casa sozinho é muito difícil, nesse momento a terapia tem sido fundamental. Planos perdidos, formatura e comemorações sem previsão, término incerto, é tudo o que sei sobre minha graduação, e infelizmente não há nada que eu possa fazer. Não trabalho mais como tutor na Unopar, fui dispensado no final de 2018, mas consegui continuar com a bolsa de estudos até o final do curso.
A Niky, minha cachorra, ficou vivendo com a minha mãe, pois no ano passado quando comecei um estágio nos sábados em um asilo da cidade a mesma ficava muito sozinha, levava ela para Telêmaco nas férias e ela adorava, então acabei deixando ela em definitivo, mato a saudade apenas quando vou para lá. Minha avó adora quando minha mãe leva ela para visitá-la, uma vez que ela está sem nenhum cachorro para lhe fazer companhia.
Neste período tive uns problemas com pedras nos rins e tive que passar por uma cirurgia, isso foi em meados de outubro de 2018, e em janeiro de 2019 tive uma apendicite e novamente passei por cirurgia. Neste período uma tia veio cobrar minha mãe dizendo que ela deveria estar aqui comigo, o engraçado é que esta mesma tia não me mandou sequer uma mensagem perguntando como eu estava. Ano passado fiz um check-up do coração e descobri novamente o sopro que havia detectado quando criança, não é nada grave mas explicaria as arritmias e os sintomas de ansiedade que venho sentindo, estava praticando caminhadas diárias até esta pandemia começar e interditarem a pista de caminhadas de meu condomínio. Falando no apartamento, quitei no ano passado, graças a Deus uma despesa a menos, pois morar sozinho custa caro.
Fiz vários progressos em minha vida, conseguir ficar sozinho no apartamento neste período é um destes progressos, no meu passado já passei muito mal por me sentir sozinho e atualmente não ligo pra isso. Houve períodos em que tive ataques de pânico dentro de meu apartamento, e neste momento também consigo ficar dentro dele numa boa, porém mês passado quando fiz 1 mês interrupto de home office fiquei bastante angustiado por não sair de casa, mas nada que tomasse as proporções dos ataques de pânico. Minha mãe tem me visitado, tem vindo com meu padrasto, tem sido bom quando eles estão por aqui, dá pra me distrair. Aliás, minha mãe casou novamente neste meio tempo que não escrevi, gosto do Luiz, ele cuida bem dela e tem estado ao lado dela em todos os momentos difíceis, odiava o fato de eu não estar presente nas dificuldades dela e de ela depender da família dela, agora tenho aconselhado ela a se distanciar deles e aproveitar mais seu casamento, mas entendo que ela mantenha uma proximidade até pela avó que não tem culpa de nada, as vezes me pego tendo a mesma obrigação por amor a elas.
No momento encontro-me assim, esperando as coisas caminharem, imaginando quando meus planos vão voltar a progredir, e sobrevivendo no meio desta pandemia viral e política que tomou o país.
Estava lendo as coisas que escrevi aqui e me senti um pouco triste de ficar tanto tempo sem escrever, dizem que recordar é viver e lembrar de determinadas coisas é bom para saber o quanto amadurecemos.
Bem, faz anos que não escrevo, isso pelo fato de minha necessidade de externar as coisas ter diminuido com o tempo, mas vou relatar alguns acontecimentos.
Eu ainda trabalho como Tutor à Distância, gosto do trabalho que faço e no momento estou em uma rotina super corrida, completando meu tempo com uma academia pela manhã, o trabalho na Sanepar de dia e a faculdade a noite, na qual atualmente curso Psicologia - 2° ano.
Estou bem estabelecido em meu apartamento, já mobilhei e equipei ele de forma a me possibilitar uma boa sobrevivência, meus pais me ajudaram muito nisso, assim como havia relatado na última postagem.
No dia 18 de Novembro de 2015 recebi o maior golpe que a vida já me deu, meu pai faleceu. Até hoje ainda parece um episódio de outra realidade, é difícil acreditar que ele não está mais aqui, se não fosse pela sua ausência eu não acreditaria. Depois de sua morte a mudança que acontecia comigo acelerou, enfrentei alguns episódios de ataques de pânico, fui tomado por um ódio enorme que ainda está presente em alguns aspectos da minha vida, minha forma individualista também cresceu muito, e uma certa frieza. Senti realmente que um pedaço de meu ser foi arrancado e morreu junto com ele. É dificil escrever sobre isso sem reviver o ocorrido, talvez por este motivo tenha fugido tanto de escrever novamente, talvez agora eu esteja preparado.
Enfim, 2 meses após sua morte tive um desentendimento com meus familiares por parte de mãe, algo via whatsapp que começou como uma ferida mas necrosou grande parte de meu sentimento por grande parte deles, e tal como todos os aspectos de minha vida também foram inundados com o ódio, mas hoje conta com a indiferença, que acredito que seja bem pior. Minha tia por parte de pai também, mas era algo que já havia relatado, logo não é de hoje que não temos afinidade alguma, apenas acho que agora ficou claro. O mais estranho é que se fosse há alguns anos eu estaria sofrendo por isso, mas hoje não sinto nada, e este sentimento ou a ausência dele é algo esplêndido. Aprendi que existem pessoas que lutam para ficar ao nosso lado e o tempo leva embora tal como meu pai, estes merecem nossa admiração e nosso sentimento de saudade, mas para aqueles que possuem a possibilidade de estar presente e preferem dar as costas é um desperdício de sentimento sentir saudade, ou qualquer tipo de sentimento...
Quanto a faculdade, estou bem otimista, estou gostando de Psicologia e a chance proporcionada pela Unopar com a bolsa me ajuda muito nesta conquista. Meu curso foi onde me segurei para me distrair em um período difícil, o primeiro ano sem meu pai, cada data comemorativa, cada dia festivo aos pais, ou seu aniversário, acabavam comigo. Eu possuo a crença que ele me espera em algum lugar, ele me prometeu isso, só me dói saber que irei demorar a vê-lo.
Meu círculo de amigos mudou, não mais ví os que moraram comigo desde que me mudei, nem teria mais como vê-los pois não fui convidado nem para suas formaturas, não os culparia, afinal contextos mudam, assim como hoje eles deixaram de ser o meu sinto que deixei de ser o deles há muito tempo. Mas fiz amigos na faculdade, tenho amigos no trabalho, e a vida segue...
Arrumei também um cachorro, a Niky, uma Poodle Toy. Ela está com 1 ano e 6 meses, eu tomei a decisão após a morte do meu pai, quando ficar no apartamento sozinho se tornou algo difícil.
Estou em contagem regressiva para minhas férias e estou feliz, minha vida está completa, estou me animando a fazer coisas que nunca tive vontade, estou bem animado com a academia, com os empregos e com a faculdade, realmente sinto que estou fazendo algo da minha vida, e isso me move para frente, completa meu dia.
Passei muito tempo sem escrever, acho que este foi meu recorde, apesar de algumas vezes ter vontade me faltava tempo, e quando tinha tempo era a vontade que não me acompanhava. Agora sentei para escrever, continuando a linha de raciocínio da última vez em que fiz isso.
Em Outubro tive minhas férias, fui para minha cidade passar 10 dias com meus pais, entre eles meu aniversário, levei comigo meu computador pois apesar de estar de férias de um emprego, o outro de tutor eletrônico me acompanhou. No fim do ano o clima foi de descanso, com as férias da faculdade, a diminuição do ritmo na empresa e a época do ano que mais gosto, não sei o que significa para mim, se é um fim ou um começo, mas o fim do ano e seus feriados - Natal e Ano Novo - me acalmam muito, produzem em mim uma sensação boa. Comecei a levar meus pertences até meu apartamento, onde planejava me mudar depois que colocassem o piso, porém por algum erro de logística da loja a instalação não aconteceu, pretendia atrasar minha mudança um pouco, cerca de um mês, mas não foi possível pois o Thiago tinha alguns planos os quais havia elaborado levando em consideração que eu me mudaria, então mantive os prazos, levei todas as minhas coisas para o apartamento, algumas sozinho outras com a ajuda do meu amigo do trabalho Márcio, e na véspera de ano novo, ainda de madrugada me preparei para pegar o ônibus, deixei a kitnet e a chave sobre a geladeira, e fui para Telêmaco Borba com minha última mala, e meu colchão inflável que estava usando provisoriamente tendo em vista que o meu já estava no apartamento. Passei estes feriados com minha família na minha cidade Natal, sendo o Natal apenas com meus pais e irmã, e o ano novo passei na igreja, e depois com minha avó, mas por ser meio de semana acabei por não poder ficar muito. O novo ano começou com muitos desafios, o primeiro deles era morar sozinho, ajustar o apartamento para que eu pudesse morar era o segundo, me ajustar à distância e aos horários do trabalho era o terceiro, e assim comecei a correria. Tive alguns problemas de logística com a máquina de lavar roupas que comprei via internet, meus horários não coincidiam com os da portaria, e os nossos com o da transportadora, assim minha máquina ficou um bom tempo parada no estoque do pessoal da entrega. Estava me adaptando à nova rotina, dormindo entre todas as minhas coisas de forma improvisada na cozinha em virtude do apartamento ainda estar sem piso e apresentar muito pó, quando uma noite fui surpreendido por dores horríveis no abdômen ao lado direito e na perna, a princípio pensei ser uma apendicite. Passei a noite acordado com dores andando de um lado para o outro e pedindo a Deus pra me dar forças, e quando amanheceu a dor desapareceu, fui para o hospital, fiz vários exames, tomei soro, até de ambulância andei, e no final do dia nada havia aparecido nos exames, apenas sangue na urina o que me assustou a noite combinado com as dores horríveis. Na noite seguinte fui acordado com as mesmas dores, descobri que água quente aliviava então fiquei debaixo do chuveiro com as costas na água a noite toda, e de manhã comprei uma passagem para Telêmaco Borba e avisei meus pais, os quais na mesma hora me pediram para cancelar a passagem e chamaram meu tio Luis para vir de carro me buscar. Esperei deitado no colchão entre minhas coisas na cozinha, e enquanto olhava para malas, roupas, o guarda-roupa desmontado, a televisão encaixotada, a dor insistia em voltar, e eu ansiava que eles chegassem logo, foi a primeira vez que de imponente eu me senti dependente e assustado, desde minha mudança lutando e me fortalecendo sempre achei que pudesse fazer tudo sozinho, e em muitas ocasiões sem ajuda eu consegui, mas desta vez eu ansiava por alguém que estivesse presente por mim para me ajudar, estava em desespero após não dormir duas noites e sem saber do que se tratava. A vinda dos meus pais para Londrina foi um pouco atribulada, eles chegaram, ficaram chocados com a situação em que eu estava vivendo e isso ficou muito transparente, pegamos minhas coisas e ajudei meu tio usando o GPS a chegar em um shopping para almoçarmos. Neste momento a dor estava bem mais fraca, quase que havia desaparecido, por isso consegui almoçar normalmente, e viajar sem incômodos até Telêmaco. Na estrada pegamos um engarrafamento pois havia acontecido um acidente, chegamos, aproveitei a companhia dos meus pais e descansei até que a noite chegou, minha tia Maria foi até em casa para fazer uma oração por mim, após isso deitei para dormir e ao cochilar a dor começou, meus pais me levaram para o hospital onde cheguei vomitando de dor, ansiava por um remédio, uma injeção, um soro, qualquer coisa que fizesse parar, demorou a fazer efeito mas os remédios tiraram a dor, confesso que neste momento fui pego por um desespero, me via cheio de coisas para fazer e arrumar, mas impossibilitado por algo que eu nem sabia ao certo o que era, e com meu pai esperando no carro e minha mãe sentada em uma cadeira ao lado da minha cama, eu chorei. Passei o dia na casa da minha avó, era um almoço em família, comi um pouco mas não consegui manter a comida em meu estômago, era de dia e a dor estava voltando, deitei na cama da minha avó e cochilei, estava tão cansado que fiquei um bom tempo lá. A noite desta vez eu estava sem dores, mas pedi para minha mãe ligar para o hospital para ver que médico estava de plantão, era um nefrologista, por isso fui até lá para pegar um remédio ou uma guia de exame, para descobrir o que estava acontecendo comigo. Cheguei no hospital e fui bem recebido, a médica era muito divertida e ao me examinar tocou em cima da dor, como se pudesse tocá-la. Peguei as receitas e fui até a farmácia comprar os remédios, por causa do frio a dor começou a voltar, começou fraca e pulsante, logo já estava insuportável novamente. Cheguei em casa, mal deixei dar o tempo certo de tomar o remédio para a dor e tomei um deles, a dor continuava, esperei andando de um lado para o outro até que não aguentei e tomei o segundo, sentei na cama e cai no sono. Acordei com meu pai perguntando se eu estava bem, a dor havia desaparecido como mágica, imaginei que o remédio para dor que a doutora havia receitado era muito bom, eu estava relaxado e sem dor alguma, e ao ir no banheiro antes de dormir a pedra saiu, ficou parada próxima da minha mão para que eu a pegasse. Terminando o episódio da pedra do rim, voltei para Londrina mas desta vez meus pais vieram comigo, para me ajudarem a arrumar o apartamento, mais uma vez pegamos um acidente na estrada e demoramos a chegar, mas ocorreu tudo bem apesar de estarmos com nossa cachorrinha no carro. Chegando no apartamento arrumamos os locais pra dormir, colocamos os colchões em cima de feltros para não sujar no pó dos quartos, eu dormi no colchão inflável na cozinha, após comer dois pedaços de lasanha os quais minha mãe trouxe em um pote. No outro dia não passei bem no trabalho, estava com diarreia e ânsia, após o trabalho meu amigo Márcio me levou para casa e no outro dia não consegui ir trabalhar, meus pais me levaram até o hospital e era um quadro de intoxicação alimentar, tive que tomar um soro, depois de tantos que tomei por causa da pedra já nem ligava. Enquanto meus pais estiveram comigo eles me ajudaram em muitas coisas, estiveram presentes para os reparos da MRV no gesso que havia partido, no assentamento do contra piso pelos pedreiros, o qual foi necessário pois o piso estava desnivelado, e a colocação do piso pela loja, e ainda receberam minha máquina de lavar, geladeira e cama. Eles me ajudaram em tudo, na montagem da cama e do guarda-roupa, na arrumação da cozinha e do banheiro, e para improvisar um sofá feito de colchões na sala para ver tv. Já estava acostumado a chegar em casa e ter meus pais me esperando, e o cachorro fazendo festa, mas os dias passaram rápidos e eles tiveram que ir embora, mais um desafio esperava minha mãe o qual era a cirurgia da minha avó para remover a vesícula, a qual após muita preocupação foi um sucesso. O apartamento voltou a ficar vazio, mas desta vez bem mais arrumado e de uma forma boa para se viver, com cama, cozinha, banheiro arrumado, a possibilidade de lavar minha roupa e estender no varal que meu pai instalou, enfim tudo aqui tem um toque de cada um, algo que eu nunca poderei agradecer o suficiente. Voltei à focar nas coisas que preciso fazer, honrar meus compromissos com meus empregos, aprender a estar ou ficar sozinho e gerenciar minhas contas para comprar mais coisas para a minha casa, afinal ela está arrumada mas ainda não tem nada. A vizinhança aqui as vezes me estressa, alguns vizinhos com um som alto, outros que conversam com o celular na janela, enfim, problemas que eu passava no antigo lugar que morava mas que relevava por estar entre amigos, aliás, sinto falta deles, as vezes tenho vontade de vê-los, de conversar com eles logo pela manhã ou antes de dormir, de fazer coisas que fazia quando morávamos na mesma vizinhança, mas preciso me adaptar a este ambiente, e nele eles não estão presentes. As vezes sinto falta do Thiago tocando violão, era uma estranha coincidência ele tocar, e este instrumento ser o que mais me acalma. Nestas novas mudanças tenho passado muito tempo sozinho, no começo foi difícil mas com o tempo começa a ficar fácil, voltei a ir na psicóloga e fiz alguns exames do coração de check-up, os quais deram bons. Não vou mentir que já não me arrependi de ter vindo para cá, em certos momentos eu me deparei pensando, imaginando uma razão para ter vindo embora, e como as coisas teriam sido se eu tivesse ficado, mas não posso chorar, me enraivecer ou reclamar pois vir foi uma escolha minha, agora tenho que lutar para conquistar Londrina, para colocar uma bandeira aqui de vitória, e não de falhas, e isso ainda pretendo fazer, aos poucos. No momento eu estou agradecendo a Deus pela vida, pelos meus pais, pela minha irmã, meus amigos, meus familiares, minhas conquistas e minha saúde, e encarando cada dia como uma nova possibilidade, um novo rabisco em uma folha em branco.
Faz muito tempo que não escrevo, acho que isso foi uma das coisas que mudou não senti a necessidade de desabafar ou escrever, mas para manter o costume e tendo em vista que um grande espaço de tempo se passou, aqui estou eu.
Na minha postagem anterior haviam vários assuntos inacabados, um deles era o processo seletivo na Unopar para trabalhar de Tutor Eletrônico, bem eu consegui ser contratado e já estou trabalhando, e estou gostando muito, conhecendo pessoas legais, sem falar o fato de uma renda extra e ter algo que me ocupa o tempo, agora a pouco estava corrigindo provas, tenho 251 alunos de polos diversos os quais me enviam mensagens, trabalhos e provas para auxilio e correção. Nas minhas férias as quais passei em Telêmaco Borba pude festejar os aniversários de meu pai e minha mãe, e ver meus amigos do meu antigo trabalho. Participei do casamento da minha amiga Franciele como padrinho, acompanhado por uma amiga dela, gostei muito da noite.
Na postagem passada citei que apesar de estar cercado de pessoas boas meu coração se preparava para algo ruim, bom, notei que algumas amizades que tenho aqui onde moro se afastaram, no começo fiquei chateado, agora estou mais conformado pois sabia que isso aconteceria, já passei por isso tantas vezes que cada vez que sou obrigado a enfrentar esta situação sofro menos. Estou fazendo academia, vou junto com o Thiago, está me fazendo bem apesar de estar fazendo menos do que gostaria, por relapso meu. Meu apartamento ainda está sem o piso, mas estou me movendo cada vez mais para prepará-lo para minha mudança, o que pretendo fazer em breve.
Minha irmã esteve em Londrina com meu cunhado de férias, andamos bastante, passeamos pelos shoppings e no fim do dia eles posaram no meu apartamento que, apesar de estar sem piso, está limpo e com um colchão inflável de casal, o qual levei para lá e enchi após limpar tudo para recebê-los. A situação com minha tia melhorou, apesar dos acontecimentos que escrevi vez passada, agora ela sempre me trata bem quando vou para minha cidade, sempre vai até a casa dos meus pais para conversar e nunca mais tocou no nome do meu primo, a não ser na vez passada que me levou na rodoviária e trocou meu nome pelo dele. Sei que aquela história ficou mal resolvida, mas acho melhor assim, pois remexer naquilo tudo sempre alimentou o pior de mim, por isso resolvi esquecer e continuar.
Tenho viajado muito para minha cidade, estou preocupado com a saúde do meu pai, a qual ultimamente tem estado péssima. Da última vez q fui para lá ele estava no hospital internado, visitei-o e pedi para que se cuide mais. Minha avó também não estava bem de saúde, esteve internada também, passei em sua casa para lhe ver antes de voltar à Londrina. Minhas férias novamente estão marcadas, mais 10 dias que restaram, os quais vou tirar dia 7 de outubro, no meu aniversário, será numa segunda-feira, por isso irei para Telêmaco Borba dia 5, volto para Londrina no dia 9 pois dia 10 tenho tutoria na Unopar, e os restantes dos dias das minhas férias irei para um lugar novo, ainda não sei onde, planejava visitar uns tios em Toledo mas pela demora da resposta da mensagem acho que estão ocupados, por isso estou mudando meu rumo, quero um lugar novo, desconhecido, e que me traga boas sensações, por isso estou escolhendo com cuidado.
Voltei a ir na psicóloga, acho que estou em um momento crucial da minha terapia, chegamos onde eu queria, ela conseguiu ir fundo, mas agora comecei a fugir das sessões, acho que sobre minha mente dualista, bem, ela ficou instigada, e eu arisco, é um dos meus maiores segredos e não estou certo de confiar isso em uma sessão psicológica, mas sei que isso vai acontecer afinal preparei tudo para este ponto. Falando mais sobre esta dualidade, ultimamente não tenho conseguido separar umas características das outras, acho que estou amadurecendo mais que o esperado, perdendo algumas das características que por muito tempo julguei importantes, antes conseguia ver claramente uma criança e um adulto em minha mente, hoje vejo dois adultos...
Muitas pessoas superestimam a felicidade como algo necessário, eu tenho meus momentos de alegria, mas não espero algum dia alcançar a felicidade plena, e estou completamente satisfeito deste jeito. Por muito tempo acreditei que encontraria alguém e passaria a vida junto, casaria, enfim, seguiria o rumo normal da vida, mas meus sentimentos mudaram em virtude dos acontecimentos, e estou satisfeito por conseguir andar com minhas próprias pernas, portanto deixei de lado esta vontade para lutar sozinho pelo que quero para minha vida, o que no momento é trabalhar, estudar, conhecer lugares e experimentar sensações por mim mesmo.
Os dias se passaram rapidamente, e já fez mais de um mês que não escrevo nada, desde então muitas coisas aconteceram.
Uma das coisas boas foi minha viajem para Telêmaco Borba, conforme disse na ultima postagem, onde passei a páscoa e pude ver meus pais, minha irmã, minha avó, tia e familiares, aproveitei para cortar o cabelo e visitar minha avó, mas ela estava prestes a viajar então pudemos conversar somente por alguns minutos. Também encontrei a Franciele, uma amiga da faculdade a qual não via já fazia algum tempo, e da qual serei padrinho de casamento no mês que está por vir, de fato é uma honra ser lembrado por algum dos meus amigos, e foi divertido sair com ela, fomos à uma sorveteria, demos muita risada juntos e matamos a saudade, após ela me entregar em mãos o convite de casamento fui para casa, e em seguida na casa da minha irmã para visitá-la, e depois na casa da minha avó conversar com minha tia.
Minha visita em Telêmaco foi muito agradável, exceto por uma decepção que tive com uma estória que tomei conhecimento, ao questionar meu pai de um dia minha tia ter pego meus dois números de celular, de eu ter aguardado e ela nunca ter ligado, fiquei sabendo que ela estava chateada por coisas que meu primo de Londrina alegou para ela que eu disse, coisas absurdas e sem fundamento. No momento que soube não teve tanto efeito quanto em uma semana depois, quando me senti triste pelo ocorrido e escrevi-lhe um e-mail, de fato cansei da situação e notei que tanto meu ódio por este primo quanto minha tentativa frustrada de conseguir a atenção dela estavam me unindo a toda aquela situação, e em palavras dei adeus à tudo aquilo, entreguei nas mãos de Deus prometendo a mim mesmo ser a última vez que tocava neste assunto, me senti muito leve com isso, entreguei a Deus meu pedido por Paz, e sei que ele vai cuidar de mim e de cada lágrima que estes eventos me fizeram derramar, e este é o ponto final, a pedra que coloco em cima de tudo isso.
Retornando à minha vida em Londrina, o mês passou rapidamente, e entre trabalho e estudo sai também fazer caminhadas em torno do lago com o Thiago, é cansativo mas sei que me faz muito bem e as horas passam rapidamente com a companhia dele. Participei de um processo seletivo da Unopar o qual foi dividido em três partes, formadas por uma redação, uma entrevista coletiva e, por fim, o Márcio me deu carona para a última entrevista onde conversei com a coordenadora de um dos cursos. Entre ouros eventos fui na rodoviária com a Jheniffer levar a mãe dela, sempre que fazemos isso tomamos uma vitamina que eles fazem por lá, e que é ótima. Em um fim de semana deste mês virei a noite jogando vídeo game com o Jhonatan, comendo balas e tomando refrigerante, há muito tempo não fazia algo assim. Eventos tem preenchido meu tempo, no geral tenho convivido com pessoas extremamente legais, podemos dizer que nos cuidamos como uma família, e de fato faria e faço tudo ao meu alcance para vê-los bem, talvez esta seja minha nova zona de conforto. Neste fim de semana recebi uma mensagem de minha prima da cidade de Ponta Grossa, já fazia algum tempo que não recebia noticias dela, e desde minha mudança para Londrina, entre tentativas frustradas de telefonar para ela ou conversar via internet acabei deixando tudo isso de lado, por isso fiquei surpreso quando vi a mensagem, surpreso e feliz.
Parei de ir na psicóloga por um tempo, pois uma maré de bons sentimentos começou em minha vida, mas em contrapartida em alguns momentos sou tomado por um pânico enorme, parece que parte de mim sempre tenta me preparar para o pior, e quando estou sozinho mil coisas tomam minha mente, medos e pensamentos forjados pelos períodos ruins da minha vida. As vezes penso que apesar de estar cercado de pessoas boas e legais isso pode ser uma fase, pois ainda lembro o fator predominante em Londrina, meu crescimento acelerado e o choque de precisar me virar em um ambiente desconhecido, apesar de no fundo sempre saber que minha vinda para cá envolveria estes fatores, não sabia como seriam forçados a se desenvolverem de forma tão rápida, agradeço a Deus por ter colocado em mim uma mente dualista, pois quando estou fraco sou extremamente forte, e em muitos momentos me segurei nisso, tomei isso como minha própria força, e deixei de ser um ser conflitante para batalhar por um bem comum, minha sobrevivência.
Minhas férias estão próximas, estou aliviado pois sei que poderei matar a saudade da família, dos amigos do meu antigo local de trabalho, de alguns amigos da faculdade, enfim, aproveitar mais que das outras vezes que estive em Telêmaco por um breve período de tempo. Voltar para minha cidade natal tem agora outro significado, pois sei que muitos fantasmas que lá estão já não me fazem mal, e mesmo que me assombrem, agora me sinto extremamente forte para encará-los.
Em um mesmo tópico falar sobre Decepção e Felicidade, como lidar com isso? Simples, em meu coração carrego apenas a felicidade, pois como uma pessoa dualista posso me dar ao capricho de deixar a Decepção para o outro lado da minha vida, ou seja, algum benefício precisa ter para alguém que parece possuir duas almas distintas, sendo assim deixarei lá até que o passado se encarregue de corroer e dissolver tudo isso, asim como eventos do meu passado os quais me deixaram marcas, pois sei que esta outra face se fortalece nisso. Falar mais sobre isso seria abrir um capítulo ilegível da minha vida que nem eu mesmo entendo, e o qual entre borrões não deve ser lido, por isso encerro por aqui.
Os dias se passaram rapidamente desde a última postagem, e desde que estive em Telêmaco Borba pela última vez. No feriado de Carnaval estive lá, visitei meus pais, parentes e meu amigo que se divorciou, o qual parece estar muito bem. Para minha surpresa minha visita à Telêmaco coincidiu com a do meu primo de Londrina, o qual visitou minha tia que mora no mesmo terreno, o resultado foi dar de cara com ele logo na entrada de casa, mas é claro que sequer olhei para ele não que eu ainda dê valor ao que aconteceu, mas hipocrisia é algo que eu não tenho nas veias e ignorar tudo o que ocorreu comigo, e o desrespeito com minha mãe é impossível (Sobre o teor da mensagem que ele enviou, por ele ter imaginado que alguma mensagem publicada pela minha mãe era direcionada à ele, basta clicar aqui e visualisar). Enfim, para mim é simplesmente inaceitável ainda mais sem uma gota de arrependimento da parte dele, eu sim me arrependo apenas de ter ficado calado na ocasião, já que de qualquer forma o julgamento das pessoas ficou em "neutro" depois de tudo o que ele me fez, afinal é a palavra dele contra a minha, e só. Enfim, por isso o que eu espero dele é que simplesmente esqueça meu nome, quem sou ou como sou, que me apague assim como fiz com ele, afinal minha vida está ótima do jeito que está, aliás, eu deveria até agradecê-lo pelas lições que aprendi com o ocorrido, com certeza vou me espelhar sempre nele, para ser exatamente o contrário. Aliás ele criou um perfil para minha tia na internet, lembrei-me que quando me dispus a criar ela não teve interesse logo pensei que ele certamente usará para ver o que escrevo, tendo em vista que está bloqueado pelo dele, até mesmo ela parece curtir e checar tudo que posto para ver se não há algo direcionado à ele, porém isso pouco me importa. Voltando aos assuntos importantes, a viajem para Telêmaco foi ótima, fui e voltei de carona com a Paula, a Juliane e o Lunartty, isso além de baratear a viajem e economizar tempo, ainda proporcionou companhia agradável no percurso.
Em um aspecto geral voltei animado para Londrina após o Carnaval, mas sabia que a próxima viagem para minha cidade iria demorar mais, pois o próximo feriado previsto era apenas no final do próximo mês, o qual estamos agora. No meu trabalho passei por minha avaliação semestral (a qual poderá me garantir um pequeno aumento), não posso dizer que ela foi satisfatória, mas fui comunicado de algo, que iria ser remanejado de setor. Quando recebi esta noticia minha correria começou, com as férias de um companheiro de trabalho havia muita coisa pendente para fazer, mas uma coisa me assombrava a mente, como mostrar serviço para as pessoas quando outras destacam apenas meus pontos negativos. Após meu colega voltar de férias tivemos uma reunião, a correria aumentou para colocar o trabalho em dia, trabalhei alguns dias após o horário e alguns sábados até que consegui colocar tudo em dia, e a idéia de me remanejar parece ter desaparecido. Confesso que esta correria me deixou mais ágil no meu trabalho, mas esta situação também me mostrou que pessoas as quais querem o mal alheio também estão dentro da empresa, e que devo tomar cuidado com determinadas pessoas.
Mudando de assunto, minha vida nesta nova cidade veio acompanhada de lanches prontos, visto que não cozinho. O fato é que semana passada após exagerar com comidas prontas, com torresmo, chocolate e espetinhos, fui parar no hospital após ter uma intoxicação alimentar seguida de uma desidratação, por isso tive que tomar um soro na veia e alguns remédios. A sensação era horrível, vômito e diarréiaseguidos de uma fraqueza enorme, e apesar de tentar aguentar para não faltar à uma consulta no oftalmologista para minha carteira de motorista, acabei sendo levado à um pronto atendimento por um amigo do trabalho, o Márcio, o qual me esperou até eu consultar e terminar de tomar o soro. O fim de semana ainda foi ruim, com alguns sintomas e mal estar, mas nesta semana me senti revigorado completamente. Meus pais ficaram muito preocupados, afinal foi a primeira vez que fiquei tão doente longe de casa, minha mãe queria até vir para Londrina no momento de desespero, mas eu a tranquilizei já estava sendo medicado quando conversamos. Muitas pessoas se preocuparam comigo, acho que dei um susto em todos.
A semana passou depressa, e o dia de voltar para Telêmaco está quase chegando. Consegui também marcar dez dias das minhas férias de 13 à 22 de maio, assim poderei passar o aniversário dos meus pais com eles, confesso que fiquei tenso pois enviei um e-mail para o coordenador e ele não respondeu, na hora pensei que estava mal visto com todo o papo de me remanejar e que ele não liberaria, mas ele simplesmente esqueceu de responder o e-mail. Senti que marcar estas férias foi um voto de confiança da empresa para comigo, e vou retribuir com meu trabalho e esforço. Quanto aos meus estudos, as aulas já voltaram no curso EAD de Análise de Sistemas, apesar de querer fazer um curso presencial estou firme neste curso, gosto de estar fazendo algo nesta cidade para justificar tantas mudanças, momentos de dificuldades e perdas eminentes que sofri vindo para cá. Este mês também comecei a procurar outro emprego, esta idéia surgiu após as conversas de remanejamento, imaginei que seria bom ter outro emprego a noite visto que não estou podendo estudar por enquanto, quando minha situação financeira não está me possibilitando em virtude de taxas e parcelas do apartamento. E por falar nele, já está em 96%, e perguntando para um dos meus colegas de trabalho o qual também comprou do mesmo empreendimento, ele me disse que realmente está muito perto de ser entregue, imagino agora se eu terei coragem de me mudar morando perto de tantas pessoas legais. Imagino morar em um lugar que não conheço ninguém, iria ser um retrocesso? Ou um progresso por morar em um lugar maior e meu? O fato é que estou feliz onde estou hoje, morando com o Thiago, próximo à Jheniffer, a Laiza, o Jhonatan, o Lunartty e o Adauto, tendo eles como companhias a vida está bem diferente de Telêmaco, onde não recebia a visita de amigos e ficava grande parte do tempo sozinho, e por isso me coloco em um empasse, com medo de tomar decisões que me prejudiquem no futuro, afinal imagino que eles estão estudando e logo podem se mudar, mas também se eu ir morar sozinho posso acabar me isolando como já aconteceu antes de eles irem morar por perto, quando eu raramente saia de casa e dormia sem parar.
Mas no momento minha preocupação está em Telêmaco, meu pai está inchado novamente devido aos problemas de saúde que possui, talvez tenha que internar como costuma fazer algumas vezes. Minha prima Ligia me auxiliou no restante do processo contra o PagSeguro, e finalmente fui ressarcido do golpe que levei no final de 2011, isso realmente foi uma vitória. Ocorreram alguns problemas entre meus familiares via internet, mas eu não gosto de me envolver, por isso fiquei neutro no ocorrido, apesar de achar tudo uma grande perda de tempo, mas não posso deixar de me sentir chateado com algumas pessoas que eram extremamente ligadas á mim mas que agora nem meus telefonemas costumam atender.
Em síntese, minha vida está ótima apesar dos contratempos, alguns eventos aconteceram pela primeira vez, como ficar doente e fora de casa, foi algo desagradável e realmente gostaria de ter me virado tão bem sozinho quanto tenho feito em algumas ocasiões, porém acabei por precisar de ajuda e não gosto de parecer fraco ou dependente dos outros, mas sou agradecido pelos que me ajudaram. Estou com uma injeção de otimismo e isso é bom, me sinto revigorado para trabalhar e estudar, mas confesso que estou com uma imensa saudade dos meus pais, da minha irmã e dos familiares que costumo visitar quando vou à Telêmaco Borba, espero ansioso por esta viajem.
As horas e os dias passaram rapidamente, e já fez mais de um mês que não escrevo nada nestas páginas, muita coisa aconteceu.
No final do ano fui até minha cidade, para o Natal e depois Ano Novo, aproveitei para ver parentes e familiares que não via há algum tempo. Gostei de ambas as datas, pude desfrutar de momentos os quais ficaram raros em minha vida, participei de um amigo secreto no qual tirei minha irmã. Estava tudo do jeito que eu costumava gostar, mas notei uma mudança em minha visão, notei que muitas das pessoas presentes não fazem mais parte do meu mundo e não foi por falta de eu tentar mantê-las comigo, mas não acompanharam nada que passei nestes tempos de mudanças, fazem parte de uma ilusão com a qual sei que não posso mais contar, e retornei com este pensamento em mente. Em minha visita encontrei o Jean, amigo antigo o qual tenho desde os tempos de curso técnico e de faculdade, para fazer um lanche, foi bom revê-lo e conversar um pouco.
As viagens foram cansativas e sequenciais, mas depois de passar o Ano Novo voltei para Londrina, onde estou até o momento aguardando o Carnaval quando voltarei a visitar novamente Telêmaco Borba, e conversar com um amigo o qual o casamento acabou, e sinto que está precisando. Em Londrina, continuo a trabalhar no mesmo setor, e com o gestor do mesmo de férias a correria aumentou muito, quase não dou conta de tanto trabalho, e agora recebi a notícia que talvez seja remanejado de local tendo em vista que não tenho dirigido um veículo há muito tempo. Não posso dizer que isso me deixou triste, mas também não estou feliz pois já acostumei com as pessoas que trabalho, tenho colegas e amigos, como o Márcio por exemplo, com quem dou muitas risadas fazendo do trabalho algo menos estressante.
Em Londrina, em casa tenho estado mais relaxado, tenho passado bons momentos com o Thiago, e com as pessoas que conheci recentemente, sendo estas a Laiza, a Jheniffer, o Adauto e o Jonathan. Estes momentos tem feito eu pensar em como será quando eu me mudar para o apartamento, colocando dúvidas se eu realmente quero fazer isso. Quanto ao meu primo nunca mais o vi, e acho que é o mais correto, Deus me tirou uma pessoa que me fez muito mal e colocou outras para me ajudarem, sou grato e se pudesse escolher, de minha vontade seria exatamente desta forma apesar de algumas vezes ter sentido saudades, hoje posso dizer que este sentimento é quase algo morto. Mas, ainda sobre este primo, há uns dias atrás houve seu casamento em uma sexta-feira (para o qual obviamente nem eu e nem meus pais fomos convidados, principalmente após o e-mail que o mesmo enviou ofendendo minha mãe), o que me surpreendeu foram a quantidade de parentes os quais vieram para Londrina, e a quantidade dos quais me procuraram para saber se estou vivo, os quais foram nenhum, zero, enfim, esperava que ao menos minha tia, a qual pegou meus dois números de celular com minha mãe antes de vir, me ligasse e marcasse um local para nos vermos, mas desde que vim para cá tenho me visto como quando era uma criança, quando eu e este primo disputávamos a atenção dela e o resultado sempre era favorável a ele, como sinto que ainda é atualmente. Um dia destes me lembrei de algo de minha infância, que um dia disse para esta tia que iria embora para ver se ela me trataria tão bem quanto tratava este primo, mal sabia eu que viria para a mesma cidade que ele. Enfim, hoje sinto que me libertei deste sentimento também, cansei de lutar pela atenção de pessoas que nem ligam se estou vivo, e isso digo de forma geral, e não só neste caso.
Falando em criança, minhas sessões na psicóloga estavam muito monótonas, eu estava seriamente pensando em desistir, porém na última sessão a Dra. conseguiu chamar minha atenção, pois ela adentrou em um espaço muito íntimo do meu coração, e viu o que poucas pessoas conseguem, uma criança e uma pessoa triste que sorri, e por isso resolvi continuar frequentando para ver onde isso vai dar. E abrindo um pouco meu coração, neste turbilhão de sentimentos também tenho passado por alguns transtornos, tais como atrasos em todos meus compromissos, mudanças drásticas de humor (Da alegria eufórica ao mórbido pânico da tristeza, seguido de uma raiva imensa), de momentos de amortecimento nos quais não sinto nada e fico sem reação para tomar decisões, a ausência de atividades que me dão prazer e a presença de muito sono, cansaço e uma sensação que meu corpo pesa toneladas. Tais fatos foram classificados por ela como "Distimia", um tipo de depressão leve que diferente da profunda, não impede as atividades diárias, mas as dificultam. De fato tudo o que estou passando está transformando cada molécula do meu corpo, e se eu já pensava que estava mudando, agora tenho certeza que as coisas jamais serão as mesmas comigo, tanto internamente quanto externamente.
Mas só para constar, e tranquilizando as pessoas que estão lendo (Se é que alguém ainda perde tempo com isso), não me sinto derrotado, pelo contrário, eu sempre soube que quando meu lado fraco caísse um mais forte se levantaria, e isso está acontecendo aos poucos, posso sentir que no final serei mais forte. Muitas pessoas ensinam que devemos viver como uma criança, mas não sabem como é difícil não possuir a malícia de esperar que pessoas de seu próprio sangue lhe desejem mal, que pessoas próximas que lhe chamam de amigo na verdade o façam apenas por comodismo pois nas horas difíceis desaparecem, ou que pessoas lhe chamem de irmão porém não o façam de coração, mas sim apenas para silenciar suas consciências pelo medo imposto pela religião de queimarem no inferno.
O mundo não é lugar para uma criança, ele é um lugar frio onde uma grande guerra entre monstros acontece, a qual envolve interesses, poder e muita hipocrisia. Uma guerra também acontece dentro do meu coração, onde a pessoa que sou luta contra a pessoa que os eventos da minha vida forçam a ser, o melhor seria se ambas unissem suas qualidades em uma só, mas isso somente o tempo pode fazer, por enquanto sou uma roleta a qual gira conforme os eventos do destino, e a qual eventualmente tem conseguido acertos.
Os dias se passaram rapidamente e Dezembro chegou, com todas suas datas festivas e surpresas.
Neste tempo no qual não escrevi muitas coisas aconteceram, minha mãe passou por uma pequena cirurgia enquanto eu estava em Telêmaco Borba, graças a Deus ocorreu tudo bem e ela se recuperou rapidamente, não esperava menos dela pois é uma pessoa forte, mas meu pai passou por muitos transtornos, desde o nervoso por causa da cirurgia dela até novamente seu coração atacar, fazendo-o inchar e novamente ter que ir internado. Neste momento ele está em casa, porém ficou um bom tempo no hospital recebendo cuidados médicos em virtude de sua situação.
Alguns vizinhos novos se mudaram para o local onde moro, são pessoas da mesma cidade que o Thiago, rapaz que mora comigo. Isso tem sido extremamente agradável, são pessoas ótimas com quem rapidamente fiz amizade, e com as quais tenho passado muito tempo conversando e me divertindo. Em conversa com a psicóloga, a qual acabei faltando algumas sessões, contei sobre tudo o que aconteceu e como Londrina está se tornando um ótimo lugar, estou fazendo novas amizades e isso está me animando muito, ela achou uma boa coisa tendo em vista tudo o que aconteceu desde que vim para cá.
Na Sexta-feira, dia 7, senti muita saudade de minha avó, algo sufocante que não sentia há meses, e em determinado momento no meu trabalho fui até o banheiro e chorei, como há meses também não acontecia, e em uma grande espiral de sentimentos me lembrei dela, de todo tempo que ficou doente, e do seu velório. Sinto falta dela, as vezes consigo sentir um vazio físico que ela deixou, além do emocional, pois quando estava viva eu sabia que sempre existia alguém pensando e orando por mim
Passei o fim de semana na casa dos meus pais, perdi o ônibus por isso fui com o Thiago até São Jerônimo da Serra, almocei na casa dele, conheci sua familia, fui muito bem recebido, foram muito legais. Após isso fui para Curiúva de ônibus, e depois Telêmaco Borba. Fiquei devendo R$1,00 da passagem na rodoviária de Curiúva, pois não passavam cartão, mas na volta para Londrina encontrei o atendente no ônibus e paguei, e mesmo pegando dois ônibus ainda cheguei antes do horário no qual chegaria se fosse com o das 14:20 direto de Londrina. Não deu tempo de visitar minha avó, minha viajem foi tão corrida, acabei me prendendo tentando consertar a internet dos meus pais e não deu tempo suficiente.
Retomei a leitura de um livro o qual comecei e não prossegui, estou tentando largar um pouco a internet e fazer outras atividades. Ontem fui caminhar a noite no lago, foi gostoso, precisava colocar umas idéias no lugar, estava muito inquieto, fez bem para meu corpo e minha mente. É uma sensação horrível quando passamos a vida toda sendo de uma forma, e repentinamente uma mudança começa de dentro para fora, algo que parece nos empurrar, mesmo quando queremos permanecer onde estamos. Estou preocupado, e não é apenas por estar em uma cidade nova com meus pais longe e passando por problemas de saúde, mas por todo este contexto, por ter medo de não atingir meus sonhos e objetivos, de não ser bom o suficiente para conseguir as coisas que planejo, confesso que tenho uma chance de ouro vivendo aqui, mas também não tenho mais meus 17 anos com todos os conhecimentos recêm formados em mente, pelo contrário, muitas coisas que estudei já esqueci. O ano novo está chegando, e estou pensando "O que farei a partir daqui?", decisões que colocam meu futuro em constante mudança, e muita incerteza. Por enquanto vou aproveitar o mês e suas festividades, curtir a familia, os amigos e colocar o trabalho em dia. Descobri uma banda bem legal, "Imagine Dragons", estou ouvindo, uma das músicas postei abaixo a qual me faz pensar, apesar da minha favorita ser a "Radioactive".
Novamente me sento em frente ao computador para escrever sobre os eventos ocorridos em minha vida, mas hoje quero tentar uma abordagem diferente, quero além dos fatos que aconteceram escrever sobre tudo o que tem ocorrido em minha vida, afinal este era o propósito do "Pages" quando o criei, mas com o passar dos dias acabou virando meu roteiro de eventos, e deixando de ser onde escrevo sobre sentimentos.
Os dias se passaram, e minhas férias também, 20 dias os quais passei na minha cidade natal, com minha família e amigos do meu antigo local de trabalho, devo dizer que foi muito bom, estava feliz por revê-los. Acho que aos poucos, Telêmaco Borba está perdendo a imagem que criei dela, um local por onde passei tristeza, perdas e solidão, hoje consigo vê-la como a cidade em que nasci, onde meus pais e minha irmã calorosamente me acolhem, onde amigos esperam minha visita (a falta da obrigatoriedade de se trabalhar junto revelou que tenho muitos amigos no meu antigo trabalho), onde minha avó, tios e primos me esperam ansiosos para colocar as novidades em dia. Na minha visita à minha cidade não consegui ver nenhum dos meus amigos de faculdade, alguns até marcaram algo, mas logo desmarcaram.
Mas minhas férias passaram depressa, e já estou novamente na correria do trabalho, a qual apesar de estressante completa meus dias, através de pessoas maravilhosas com as quais trabalho. Esta semana também tive uma surpresa, meu primo que mora aqui em Londrina enviou uma mensagem distratando minha mãe pela internet, decidi colocar um fim nisso, ignorando-o e o apagando de todo e qualquer programa de contato, visto que até o momento em questão minha tia alimentava minha mente com a ideia que ele viria me pedir perdão pelas coisas as quais passei aqui em Londrina nos dias em que fiquei em sua casa, de fato quando fui morar com ele era apenas pelo fato de ter me convidado, pois já tinha um lugar em vista (Caso ele reconsiderasse o convite, eu ao chegar em Londrina iria direto para este lugar, era o que deveria ter acontecido), foi o que me salvou quando tive que sair da casa dele. O que me deixou ainda com mais raiva foi de isso tudo ter ocorrido enquanto ela estava doente, além de ter que encarar a doença ainda ter que aguentar este tipo de atitude é extremamente desgastante. Quanto aos sentimentos que criei aqui em Londrina, amadureci muito, cresci e ainda cresço, mas não posso dizer que são sentimentos bons, meu coração teve um enorme "boom" quando comecei a andar por mim mesmo aqui nesta cidade, e esta explosão me trouxe coragem e ao mesmo tempo frieza, tristeza e ao mesmo tempo força, as vezes nem sei mais quem sou, lutei tanto tempo para ser como uma criança e agora a vida simplesmente me empurra a ser um adulto, e com tantas mudanças visíveis e invisíveis começo a notar coisas espantosas, como a fobia que tinha por sangue e que desapareceu, o medo de ficar sozinho que não existe mais, o amor por algumas pessoas que não mereciam e que agora não existe mais, o desapego, entre outras coisas. Enfim, o fim do ano se aproxima, a época que mais gosto no ano, vamos ver o que estas datas e feriados me reservam.
Os dias se passaram rapidamente, e após um enorme espeço de tempo sem escrever, resolvi voltar ao velho "Pages de Millénaire" para escrever sobre minha vida. Desde Julho até Outubro, muita coisa aconteceu, neste meio tempo eu acertei e errei muito, a caminhada em Londrina tem sido muito proveitosa, mas também extremamente cansativa.
No dia 26 de Julho o pessoal da empresa de Telêmaco estavam em Londrina, na hora o gestor do meu setor disse que eu poderia ir vê-los e pegar uma carona, na minha cabeça era uma carona até minha cidade, mas na verdade era para ir vê-los e pegar uma carona de volta. No caminho quando caí em si sobre o que tinha feito mandei um e-mail justificando minha ausência, fui para Telêmaco feliz e passei o final de semana com parentes e amigos, mas na segunda-feira logo pela manhã, fui advertido, o e-mail não havia adiantado de nada, nem ao menos aliviado. De fato pensando depois percebi como foi falta de responsabilidade, mas na hora eu estava tão feliz, e com a surpresa que fiz aos meus pais, principalmente pro meu pai que abriu a porta, lembrei que os olhos dele brilharam, não podia sentir culpa pelo que fiz mas sabia que de certa forma era errado. Fiquei triste com o ocorrido por alguns dias, não imaginava ser advertido depois de 6 anos de empresa sem nenhuma conduta ruim, mas acho que isso fez parte do meu aprendizado.
No início de Setembro comecei a fazer terapia com uma psicóloga indicada por uma amiga da empresa, no princípio achei estranho, estava muito tenso, mas depois comecei a me soltar, acho que com tantas mudanças vai fazer bem eu conversar com alguém, e tê-la como referência também será ótimo, afinal tenho em mente estudar psicologia, mas nunca havia visto um psicólogo trabalhar.
Nas provas da faculdade estou indo bem, mas cancelei a pós graduação que estava fazendo tendo em vista que precisava de dinheiro para pagar algumas dívidas. Quanto ao financiamento do apartamento, e após ir até o banco e perder tempo pois não estavam com meus documentos, finalmente assinei o contrato. Sobre a igreja, fui em dois endereços aqui mas perdi tempo, pois os endereços na internet estão desatualizados, mas no mês passado estive na igreja central, vendo um encontro de corais, e foi muito bom. Quanto a minha vida sentimental, acho que não tenho, e evito pensar nisso, mas é estranho ser tratado feito "alien" quando estou no cinema sozinho, ou quando digo para alguém que vou fazer isso. Mas aqui fiz vários amigos, e eles tem me ajudado muito a me distrair, e algumas vezes saímos juntos.
Tenho viajado para Telêmaco ao menos uma vez ao mês, e agora no mês de Outubro fui até lá passar meu aniversário, foi uma data gostosa, com festa e a família reunida. Dia 15 começam minhas férias e novamente vou para lá, preciso reunir forças para começar uma nova caminhada ano que vem, estou me inscrevendo em vestibulares e se Deus quiser ano que vem começarei um curso para que eu possa trabalhar em algo de forma autônoma, uma carreira, por assim dizer.
Tudo tem caminhado de uma forma satisfatória, o ritmo do trabalho é acelerado, e da vida lento, mas estou confiante que logo poderei perseguir meus sonhos, e terei a chance de fazer algo da vida, algo grande e brilhante. Sobre a profissão que escolhi? Psicologia? Está em mente, sempre quis entender as pessoas, e ajudá-las, esta parece ser uma ótima forma de fazer isso, mesmo que algumas vezes eu pense que elas não merecem, tento não generalizar. Sinto uma enorme mudança por vir, talvez a que eu esperei a vida toda, e espero que ela me conduza a ser uma pessoa melhor e maior, intelectualmente. As vezes me vejo como uma criança em um mundo de adultos, outras um adulto em um mundo de monstros, e não é fácil viver onde todos parecem estar um passo à sua frente.
Muitas vezes me surpreendi segurando uma carta dos meus pais, a qual eles me deram em um retiro no meio do ano, e a qual leio muitas vezes buscando forças para continuar essa batalha que se tornou a vida. Não me arrependo, pois por muito tempo vivi em uma redoma de vidro, agora estou enfrentando o mundo, e cada pequena vitória é uma grande conquista. É como se aqui eu fosse outra pessoa, como se muitos dos meus medos agora estivessem comigo de mãos dadas me tornando forte, esta sensação é a que sinto com mais frequência, e a que mais me empolga nessa nova jornada...
Dois meses se passaram desde que vim morar em Londrina, muitas coisas aconteceram.
Em uma das minhas viajens para Telêmaco Borba encontrei um amigo da empresa que trabalho, o qual estava sentado justamente na poltrona ao lado da de número 27, e a qual é o número que sempre costumo comprar. Conversamos e ele me disse que morava em uma kitnet bem perto da empresa, e que seu colega ia sair. Eu me interessei em ver o local então marcamos um dia para ver onde era, e verificar uma possível mudança. Ao voltar para Londrina verifiquei o local, ele havia operado os olhos então deixou a chave comigo e foi passar uns dias na casa dos pais.
Da semana do dia 18 ao dia 21 choveu, me molhei todos os dias indo para o trabalho, isso encourajou minha mudança, a qual aconteceu no dia 22, sexta-feira, com a ajuda de um amigo do trabalho. A kitnet fica há 2 quadras da empresa, cerca de 5 minutos, por isso facilitou para chegar no horário e em dias de chuva, para não me molhar tanto. Os locais de lanche diminuiram, pois na rota de onde eu morava havia um mercado que passava meu cartão de refeição, agora não havia nada por perto que aceitasse tal cartão.
No dia 27 comprei um guarda-roupa em uma loja daqui da cidade, passei o final de semana esperando o tal guarda-roupa mas ele não chegou. Os entregadores atrasaram até dia 03, e montaram no dia 04 com uma das portas estragadas pelo transporte. Após a montagem pude arrumar minhas coisas, desocupar as malas e ajeitar de uma forma que ficasse mais fácil de procurar minahs coisas, visto que na mala já estava insustentável.
No dia 06 fui dispensado de surpresa na hora do almoço para ir para Telêmaco Borba, passei o final de semana e matei a saudade dos meus pais, da minha irmã, minha avó e tias. Meu primo de Londrina estava por lá também, mas não o ví, nem meus pais. No domingo, dia 8, voltei para Londrina, e fui para casa de circular pela primeira vez, economizando taxi.
A empresa passou por uma auditoria, e meu setor entrou em uma correria atrás de documentos, foi uma semana cansativa, onde fiz várias horas de operação de máquina copiadora.
No final de semana dia 13, sexta-feira, fui ao cinema com a minha irmã e meu cunhado, os quais estava na cidade de férias. No outro dia fomos em diversos lugares, andamos o dia todo e jogamos vídeo-game. No fim do dia mostrei a kitnet na qual estou morando, e eles foram para o hotel. Domingo, dia 15, voltaram para Telêmaco.
Perspectiva geral de Londrina? As vezes quando estou sozinho sinto muita vontade de voltar para Telêmaco Borba, ainda estou muito deslocado e perdido nesta cidade, porém estou gostando daqui e aos poucos este pânico e a vontade de ir embora vão ficando menores, principalmente pelo fato de estar fazendo amigos. Mas dei uma relaxada nos meus cursos, fiquei para exame na pós e amanhã tenho prova no curso de Análise de Sistemas e não estudei nada, perdi os prazos de tarefas e trabalhos, tudo porque pensei estar em recesso.
Os dias passaram rapidamente, já fazem mais de três semanas que me mudei para Londrina, o que tenho a dizer é que estou aprendendo muito, e crescendo como homem...
Na quarta-feira, dia 16 de maio, viajei de manhã e cheguei ao apartamento do meu primo na hora do almoço, ele não estava lá e sua irmã abriu a porta pra mim onde deixei minhas coisas e me apresentei no trabalho. Fui muito bem recebido, as pessoas da empresa são muito divertidas, se colocaram à disposição. A noite voltei ao apartamento do meu primo mas ele ainda não estava, sua irmã novamente me recolheu. No dia seguinte acordei de manhã, tomei banho e esperei meu primo abrir o portão para poder ir trabalhar. No horário de almoço encontrei um local em frente de onde trabalho que vende uma marmita menor que a mini, e que chamam de "baby" por apenas R$5,50 e a qual me deixa satisfeito. Almoço na sala onde trabalho, e onde dois colegas do trabalho também almoçam. A noite fui até o Shopping Royal para comer algo, após comer fui para o apartamento do meu primo, ele já estava lá. Após eu chegar e trocar de roupa, ele pediu para conversarmos, fui até a sala. A conversa que tivemos não vou citar, mas foram regras de convívio que ele estabeleceu visando minha estadia em sua casa, na hora escutei a tudo quieto, a hora se passou e eu fui deitar. Na cama pensando em tudo o que ele disse, entrei na internet pelo celular e comecei a procurar lugares onde eu poderia ficar, tendo em vista que algumas das regras que ele citou não dependeriam simplesmente de mim. As horas se passaram, e já eram quase 3:30 da manhã quando peguei no sono procurando por anúncios. Às 06:40 eu levantei e fui ao trabalho, e mesmo lá procurei lugar via internet, precisava encontrar um local até o final de semana, pois se não o fizesse teria que me submeter a uma das regras a qual se repercutiria nos fins de semana. Em meio a tantos anúncios lembrei de que um coordenador da empresa de Telêmaco Borba havia me oferecido um local, onde sua filha morava havia uma vaga mas como na época sabia que ia ficar com este primo, acabei recusando. Na hora telefonei e conversei com ele, e depois com o cunhado dele, o qual é o dono do imóvel em questão. Após o trabalho fui até o apartamento do meu primo, mas ele não estava, fiquei um tempo sentado na escadaria do prédio, desta vez consegui entrar pois ele havia me emprestado o controle do portão eletrônico e a chave do estacionamento. Toquei a campainha de sua irmã algumas vezes mas não fui atendido, e após aguardar muito resolvi descer pelas escadas e ir comer algo, mas seu cunhado abriu a porta, então pedi que abrisse a porta pra mim mas ele não estava com a chave então fui até a igreja pegar a chave com a esposa dele, irmã do meu primo. Dentro do apartamento eu já arrumava minhas coisas, coloquei tudo novamente dentro das malas e estava certo de que não passaria o final de semana ali, liguei para o dono do apartamento indicado pelo coordenador de Telêmaco, ele disse que eu deveria ir ver o local primeiro, eu aceitei logo de cara sem ao menos ver. Com as malas prontas deitei, meu primo chegou e me avisou que estava indo em uma visita com o pessoal da igreja, me despedi dele e dormi.
No outro dia logo pela manhã sai do apartamento do meu primo com minha mala e uma mochila nas costas, fui até onde iria almoçar. No restaurante como o almoço iria demorar, liguei para o rapaz dono do apartamento o qual o coordenador havia me indicado, ele disse que eu poderia ir mas precisaria de um colchão e da roupa de cama. Meu primo tentou me ligar mas não atendi, queria deixar a poeira abaixar, e sair do apartamento dele sem drama ou questionamentos. Após almoçar, caminhava por uma avenida pensando no que ia fazer, como iria encontrar o endereço do apartamento e onde iria comprar um colchão, acabei encontrando o escritório de onde financiei o meu apartamento e o corretor que me vendeu. Conversamos, contei a ele o que havia acontecido e ele me disse para deixar com ele minhas malas e ir atrás do colchão. Sem as malas pesadas fui rapidamente até um hipermercado, onde comprei o colchão, cobertor, travesseiro e a roupa de cama, pedi para a vendedora mil vezes que ela me entregasse no mesmo dia, ela relutou um pouco dizendo que as entregas duravam 3 dias úteis, mas depois deixou passar, ressaltei que se ela não entregasse eu dormiria no chão. Após isso voltei até o escritório onde o corretor guardava minhas malas, e ele me deu uma carona até o endereço do apartamento o qual eu ia ficar. Chegando ao endereço conversei com o porteiro e entrei, era um conjunto residencial, fui até o apartamento em questão onde um casal me recebeu. Conversamos um pouco e eles foram trabalhar, então sozinho deitado na sala enviei uma mensagem ao meu primo, dizendo "...Achei uma república pra ficar, assim, eh melhor pra não mudar tanto sua rotina. Não quero q se chateie assim como não vou ficar, cedo ou tarde teria que fazer isso... Enfim...", citei o "cedo ou tarde" devido a que em Novembro ele iria fazer uma reforma no apartamento, ele havia me contado no dia da conversa sobre as regras de convívio, então nesta data eu teria que sair. Ele não respondeu a mensagem, apesar de eu saber que leu pois usamos um programa de celular pra trocar mensagens que mostra quando a pessoa leu a mensagem, e quando foi a última vez que acessou o programa.
No dia 26 voltei para Telêmaco Borba, pois teria uma audiência no dia 30, quarta-feira, então com um acordo com meu coordenador pedi dois dias para que pudesse ficar de sábado à quarta. Meu antigo coordenador de Telêmaco me pediu para que levasse uma encomenda para ele, assim me deu uma das passagens. Visitei o pessoal no meu antigo local de trabalho, o que posso dizer, muita saudade de todos, e um aperto enorme no coração ao ver minha cadeira ainda vazia. Visitei também a minha avó e minha tia, conversamos bastante, também comi bolo de aniversário da minha mãe, da a qual eu já estava em Londrina. Em uma noite no meu quarto na casa dos meus pais, estava no escuro lidando no meu celular, resolvi acender a luz e ir escovar os dentes, para minha surpresa na parede atrás da cabeceira da minha cama, acima dela havia uma aranha, a qual era grande e visivel à distância, porém minha mãe não havia visto quando veio me desejar boa noite. Em Telêmaco fiquei até dia 30, quando tive a audiência devido a um golpe que levei via internet, achei que desta vez o clima foi favorável a mim, gravaram meu depoimento onde contei tudo sobre o ocorrido. Depois deste dia a correria diminuiu, voltei para Londrina, e apesar de ser menos cômodo morar com pessoas desconhecidas, agradeci a Deus por elas estarem comigo, pois nos momentos de dificuldade ele cuidou de mim através delas. A cidade começou a ficar fria, com muitas chuvas, e em um dia em uma chuva forte um colega de trabalho me levou até o apartamento, e em outro dia que tomei chuva de manhã ele me emprestou um tênis seco, mas para me dar as "boas vindas" as pessoas do meu andar esconderam meu tênis, primeiro colocaram na caixa de doações da campanha do agasalho, depois retiraram, só descobri após procurar muito, e checar os vídeos da câmera de segurança. Apesar de usar o tênis seco, tomar chuva me fez pegar uma infecção no ouvido, a qual já se apresentava porém fraca quando eu estava no apartamento com meu primo, agora estava muito forte, por isso tive que consultar.
Já presenciei dois assaltos, um na rua onde moro quando voltava para casa, onde um homem gritava para pessoas que estavam dentro de um carro: "- Abaixa o vidro, passa essa blusa, faz o que eu to mandando". Na hora continuei caminhando, e quando virei a esquina dei a volta na quadra toda correndo para ele não me ver. O segundo caso foi à luz do dia, um homem estava com uma faca nas costas de uma moça, no centro da cidade. Estes casos me fizeram ficar mais ligado, prestar atenção em todos os eventos a minha volta e não usar fones de ouvido na rua.
Hoje estou em Telêmaco novamente, curtindo meus pais em um feriado prolongado, não posso dizer que não sinto vontade de ficar aqui, pois sinto e muita, tenho saudade de ter tudo na mão, roupas limpinhas, comida quentinha, meus cachorros, uma casa pra chamar de lar, e o mais importante, o carinho e a companhia de meus pais, de minha família. Mas não posso deixar de pensar que tudo o que passei me ensinou muito, e ainda me ensina. Isso me impede de desistir, mesmo que no fundo a vontade de ficar com minha familia seja grande, sei que mesmo que em Londrina a vida esteja difícil, estou tendo êxito, e sei que terei mais, que irei conseguir me desenvolver por lá. Também criei um twitter e um e-mail novo para minha tia, ela perguntou bastante sobre twitter e blog, acho que quer ver o que ando escrevendo sobre o ocorrido com meu primo, para mim é indiferente, pois escrevo há muito tempo para desabafar, e não é agora que isso vai mudar. Enfim, é muito gostoso vir até Telêmaco e receber o carinho e a atenção de todos, com tantas coisas pra conversar e tantos lugares pra ir, o tempo acaba até sendo curto. Londrina sinto falta disso, de ter com quem conversar, costumo trocar mensagens com o pessoal de Telêmaco, e conversar com as pessoas do trabalho, mas mesmo assim fazem falta pessoas que morem lá, meu primo, por exemplo...
Este mês fez um ano que minha avó faleceu, com tanta correria o dia primeiro passou rapidamente como os demais, mas lembrei desta data, afinal não haveria como esquecer. Ainda sinto as orações de minha avó me protegendo, mesmo com o vazio que a morte dela deixou.
Ano que vem pretendo começar com meus planos, morar no meu apartamento e estudar algo que realmente me teste e dê um futuro mais "autônomo", então se por enquanto estou sentindo que minha vida em Londrina está sem sentido, ano que vem isso muda, tenho certeza... Sobre o TCC do curso de Gestão Pública já o entreguei, em meio a tanta correria consegui postar antes da data final, e sobre o curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas consegui todas notas azuis, fiquei feliz por isso, pois com tanto transtorno meu rendimento não caiu.
Meu passatempo em Londrina é ouvir uma rádio via celular que toca músicas do Final Fantasy, estava ouvindo esta, é o tema de uma cidade no FFVIII, pensei muito em Telêmaco quando ouvia:
Hoje me sinto vazio, como se cada sentimento bom e ruim tivessem se colidido, e disso não tivesse restado nada.
Continuando meus planos de ir embora, o tempo passou, e entre provas e viagens para resolver problemas estou há 9 horas de ir embora e embarcar nesta nova vida, neste novo começo, na nova fase que minha "razão" tanto me envia, e que meu "coração" tanto teme. A festa de despedida ontem da empresa onde trabalho foi ótima, muitas pessoas, guloseimas e sorrisos, tantas pessoas que se despediram, tantos amigos que eu não imaginava ter. Mas a parte mais difícil foi hoje, deixar minha sala sabendo que não ia mais voltar, deixar pessoas que de alguma forma estavam grudadas em minha vida, que sei que farão muita falta.
Agora arrumei minhas malas, ficarei na casa de um primo até que meu apartamento fique pronto. Hoje senti que cada pedacinho do meu corpo se despedia da cidade de Telêmaco Borba, e como um flashback me lembrei de como fui feliz nesta cidade, mas também de como fui triste, e de todas as frustrações pela qual passei. Não sei se um novo começo é o suficiente para esquecer as frustrações, mas eu quero tentar, deixar tantas lembranças de solidão, as quais passei nas ruas vazias desta cidade.
No Domingo almocei na casa da minha avó, minha prima de Ponta Grossa estava lá, pude me despedir de todos, foi muito gostoso, e a noite como era dia das mães e aniversário do meu pai, fui à igreja. O culto estava bom, cadeiras novas na igreja deram um conforto a mais, enviei uma mensagem para que fosse colocado no data show sobre o niver do meu pai, meu amigo colocou, aliás contei a ele que vou embora, sinto que ele é o único amigo que realmente se importa. Hoje tive uma audiência devido a um golpe que levei via internet, mas a empresa se nega a assumir meu prejuízo, marcaram outra audiência no dia 30, terei que vir para cá e voltar para Londrina no mesmo dia. Um amigo meu veio até minha casa após a audiência, pensei que fosse pela mensagem que enviei dizendo que ia embora, mas na verdade foi coincidência pois era pra me convidar para o aniversário do seu filho, sendo que a mensagem ele não recebeu pois havia mudado de número.
Queria realmente me lembrar de onde surgiu a idéia de ir embora, e a única coisa que me lembro é da morte da minha avó, do medo de ficar sozinho e da escolha de mergulhar fundo neste medo, para conseguir ficar livre dele, aliás dentro de alguns dias fará um ano desde a morte dela. O fato triste é deixar meus pais aqui, mas não posso me apegar na
idéia de tê-los para sempre perto de mim, pois não são eternos.
Minha mudança está mexendo muito comigo, e tantas homenagens e despedidas me emocionaram muito, mas acho que desenvolvi algo que me impede de demonstrar, como se quando eu estivesse prestes a chorar minha vida passasse a correr em terceira pessoa, e eu começasse a assistir os fatos de um lugar longínquo.
Os dias mais recentes estão sendo especiais, e mesmo com a correria tenho aproveitado o tempo com minha familia, acredito que é o que mais importa, visto que vou embora...
Minha transferência anda com passos largos, a previsão de ida era de 1 de junho, mas a empresa de Londrina me solicitou até dia 15 de maio, por isso ainda não sei o que fazer nem o que vai acontecer, mas sei que logo irei embora, não vou dizer que estou animado pois meu ânimo ainda está ofuscado por um enorme medo, diria mais, que vou embora mais com a cara do que com a coragem, mas sinto que é o que devo fazer para crescer.
O financiamento do apartamento está em andamento, logo vou assinar o contrato com a financiadora e no final do ano estarei de apartamento próprio, meu primeiro passo como adulto, administrar minha vida financeira é o próximo, e tem sido um desafio, principalmente com tantos cursos em andamento, financiamento do apartamento e gastos com meu álbum de faculdade, o qual ainda estou pagando em cinco suaves pesadas parcelas, porém este mês minhas dívidas cessam todas, e poderei respirar mais aliviado.
Mês passado precisei viajar 3x, estas viagens também estão me custando caro, mas isso é algo que se resolve em Londrina visto que tenho viajado para lá para acertar documentos e a transferência, e para Ponta Grossa para fazer a prova do curso de Análise e Desenv. de Sistemas. Esta viajem para tal prova foi em uma terça-feira, sendo que na segunda e quarta tive provas da pós de gestão ambiental, foi a maior correria de todas, quase perdi o ônibus pois no ato da compra da passagem não estavam passando cartão, corri até a lotérica que também estava fora do ar, consegui retirar dinheiro faltando 4 minutos para o ônibus sair, e na volta para Telêmaco Borba foi a mesma correria, sai da sala às 19:45, exato momento de saída do ônibus, por sorte tive a idéia de ir até a rodoviária para ver se realmente tinha perdido, o mesmo atrasou alguns minutos e pude pegá-lo. Foi um dia cansativo, porém muito divertido, acho interessante andar por lugares que não conheço, aguça meus sentidos, me devolve a vontade de conhecer, explorar, ver.
Enfim, a páscoa está chegando, já comprei chocolates para mim, meus pais e minha irmã, economizei no da namorada visto que não tenho nem sombra de uma, e agora é o que menos quero aqui em Telêmaco Borba visto que vou embora.
Amanhã é feriado, não tenho nenhum plano além de ficar em casa curtindo meus pais, minha família são as únicas pessoas as quais quero aproveitar antes de ir embora, apesar de que não estou encarando minha ida como o fim do contato, afinal continuarei vivo, e com tanta tecnologia pela qual sou fissurado, será fácil manter contato. Quanto aos meus amigos, bom, eles sumiram, o que mais posso dizer, a única pessoa que me visita e me liga é o Jailson, de 6 pessoas restou 1, péssima estatística quantitativa mas estou mais interessado na qualitativa, e nisso ele tira de letra, pois é um ótimo amigo. Falando em amigos, a Makiele casou e foi embora para Curitiba, ela conseguia ser extremamente presente, e isso era especial, mas agora acho que ela tomou o caminho da maioria dos meus amigos, o casamento, e isso toma tempo, tanto que não sobra tempo para mais nada, em vários casos foi assim então acredito que no dela também será, enfim, sinto falta dela.
Poderia dizer que estou triste por meus amigos desaparecerem, também poderia dizer que estou feliz por ir embora estudar em uma cidade maior, mas não estou, acho que o momento de silêncio me impede de sentir qualquer coisa, são tantas coisas conflitantes, tanta pressão, tanta coisa para se fazer, isso ocupa minha mente e me impede de pensar, isso é bom, até um certo ponto. Tudo o que quero no momento é dar continuidade nos meus planos, mesmo que eles estejam momentaneamente fora de foco, sei que vou me acostumar com as mudanças e que será melhor, espero passar por isso com êxito, pois toda mudança causa conflitos, principalmente internos.
Enfim, sair da minha zona de conforto e deixar meu porto seguro para me aventurar em uma cidade diferente da minha é algo que irá colocar à prova meus instintos e experiências, gostaria de poder ficar perto dos meus pais nesta cidade, mas minha ambição é grande, preciso correr atrás disso, e no momento entre ser feliz ou realizado, estou escolhendo a segunda opção mesmo que tenha que passar alguns momentos de solidão, pois acredito ainda que eles serão ampliados sem meus pais, minha irmã, ou meus parentes por perto, mas tenho meu primo que tem me dado muita força e que sinto que precisa de mim por perto. Sei que lá serei útil de alguma forma, e que poderei me desenvolver e mostrar do que realmente sou capaz, e acho que tudo isso começou exatamente para mostrar isso, não apenas para todos, mas para mim mesmo também, é como algo à se provar, algo que justifique o todo, toda minha vivência, tudo o que já passei, e que me mostre meu lugar.